Cultura e Economia

As formas de expressão cultural de Brasília estão entre os maiores bens da cidade. E essa cultura pode ser uma alavanca não só para a afirmação da identidade brasiliense, mas para o desenvolvimento econômico e social da região, criando empregos e renda, circulação de bens e serviços. A economia criativa é um fenômeno no qual os especialistas estão de olho em todo o mundo, e Brasília desponta como um dos locais mais férteis para esse tipo de investimento.

A economia cultural faz parte da economia nova, como se convencionou chamar a economia criativa e da informação. As regras da economia clássica não se aplicam aqui, uma vez que o poder criativo é mais valoroso que o capital investido. Uma boa ideia pode render muito mais frutos que um investimento caríssimo, tanto que a economia criativa foi um dos únicos setores poupados pelas últimas crises financeiras globais e já movimenta mundialmente US$ 600 bilhões.

O Brasil não deve ficar fora desse novo fenômeno, e o Ministério da Cultura estuda como turbinar a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB), fazendo-o saltar de 2,85% para 5,7% em quatro anos.

O Relatório de Economia Criativa 2010 das Nações Unidas analisou a exportação de bens e serviços ligados à economia criativa no Brasil e identificou um aumento de US$ 7,5 bilhões entre 2002 e 2008 – valor ainda muito menor que em países como Estados Unidos e China.

Com o intuito de fomentar o setor, a recém-criada Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura lançou o Plano da Secretaria da Economia Criativa – Políticas, diretrizes e ações 2011 a 2014, que pretende levantar informações sobre o tema, articular o fomento de empreendimentos, estimular a educação dos profissionais da área e facilitar a produção, a circulação e o consumo de bens e serviços criativos.

A Secretaria também lançou o prêmio Economia Criativa, que distribuirá este ano R$ 4,1 milhões para 172 iniciativas reconhecidas na área. “O Brasil é um celeiro de tecnologias sociais e nós precisamos reconhecer essas iniciativas”, afirmou Cláudia Leitão, secretária da Economia Criativa do MinC, na ocasião do lançamento dos editais do prêmio.

Nesse novo cenário nacional, Brasília tem tudo para sair na frente. Capital política, a cidade começa a competir econômica e culturalmente com Rio de Janeiro e São Paulo. Por causa do alto poder aquisitivo dos brasilienses, da criatividade e da boa formação dos profissionais, o Distrito Federal é o lugar do país com maior capacidade de atrair e reter talentos criativos.

“Trabalhar a economia criativa é fundamental para o desenvolvimento das cidades e do país como um todo, já que essas atividades possibilitam um crescimento sustentado ao longo do tempo e têm grande potencial para contornar

períodos de crise”, anota o estudo. O Índice de Criatividade das Cidades, divulgado este ano pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), revela que Brasília alcança todos os requisitos necessários para expandir a chamada economia inovadora. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores observaram índices como o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e as condições de saúde e emprego.

Características socioeconômicas, a capacidade de fabricação têxtil e de tapeçaria, o desenvolvimento de programas de computador por encomenda, o número de agências de publicidade e a capacidade de gerência de espaços para artes cênicas, espetáculos e outras atividades artísticas foram analisados pelo Fecomércio-SP. “De forma geral, as cidades com os melhores índices sociais e econômicos também têm bom desempenho em atrair e reter atividades criativas”, diz o estudo.