Música

Brasília de todos os tons 

Brasília é uma amálgama de identidades culturais na qual há espaço para todas as expressões musicais, do rock ao samba, do axé ao sertanejo, do hip hop à música clássica. Ainda que seja conhecida como a capital do rock, a cidade vem produzindo bons músicos de samba e pagode, sertanejo e hip hop, e também bons DJs de música eletrônica.

Na seara sertaneja, Pedro Paulo e Matheus capitaneiam as duplas de sucesso da região. As raízes caipiras de Goiás e a onda sertaneja que tomou conta do país nos últimos anos tornam Brasília um terreno fértil para o surgimento de novos músicos. Ranking elaborado pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o Ecad, mostra que, entre as dez músicas mais ouvidas no Centro-Oeste, nove são sertanejas. Brasília também pode ser chamada capital do sertanejo.

O hip hop também ocupa um espaço representativo no cenário musical do DF, em especial na Ceilândia, de onde surgiram grupos como Tropa de Elite e o Harper GOG. A cidade já disputa com São Paulo em termos de produção cultural e surgimento de novos artistas do break, grafite, rap e discotecagem.

Rock

Brasília é a capital do rock, e 2012 é o ano de celebrar esse título. Em fevereiro, cerca de 100 mil pessoas estiveram no atodelançamentodoMovimentoBrasília Capital do Rock no Museu da República. Os brasilienses estão unidos para projetar nacionalmente bandas da cidade, assim como nos anos 1970 e 1980 Legião Urbana, Aborto Elétrico e Capital Inicial foram catapultadas a celebridades.

A cidade já tem a tradição do rock muito enraizada. O festival Porão do Rock já apresentou, desde 1998, 309 shows. Metade das bandas que se apresentaram ao longo desses anos é de Brasília. Outros projetos relacionados ao estilo musical devem nascer em breve, como o museu em homenagem ao cantor Renato Russo. O projeto em questão tramita na Câmara dos Deputados.

Outra boa novidade para a agenda de eventos culturais da cidade será a construção do novo Estádio Nacional Mané Garrincha para a Copa do Mundo de 2014, que beneficiará a dinâmica cultural da cidade. Rebatizado de Estádio Nacional Mané Garrincha, a arena terá capacidade para 70 mil pessoas, podendo receber grandes concertos. O espaço deverá incluir Brasília no crescente mercado de shows internacionais no Brasil. Este ano, pelo menos três grandes atrações confirmaram presença na capital federal: o rei do folk rock Bob Dylan, a banda inglesa veterana Duran Duran e a banda pop sueca Roxette.

Foto: Kazuo Okubo

Clube do Choro

A tradição do choro em Brasília nasceu junto com a construção das pilastras que sustentam a cidade. Com a transferência da capital para o centro do país, chegaram também músicos virtuosos, que embalavam as noites dos candangos ao som de cavaquinhos, flauta e pandeiro. Com 34 anos de existência, o Clube do Choro de Brasília já é o mais duradouro projeto de música instrumental do Brasil.

A primeira sede dos chorões foi uma concessão do governo do Distrito Federal, um espaço subterrâneo no Eixo Monumental, nos idos de 1977. O clube acabou tornando-se Patrimônio Imaterial de Brasília e recebeu a comenda da Ordem do Mérito Cultural em 2009. Este ano, o Clube do Choro ganhou uma cara nova, arquitetada por Oscar Niemeyer. O desenho da nova sede foi um presente do arquiteto para o presidente do clube, o consagrado músico Reco do Bandolim.

Com a nova construção, a antiga sede dará lugar ao Centro de Memória Referência sobre o Choro, um arquivo digital de todas as produções musicais que hoje estão espalhados pela Biblioteca Nacional, pelo Museu da Imagem e do Som e pelo Arquivo Nacional. O local será montado em parceria com a Universidade de Brasília (UnB).

Endereço: Setor de Divulgação Cultural, bloco G, Eixo Monumental.

Funcionamento: segunda à sexta, das 13h às 21h, e aos sábados, das 19h às 21h.

Fone: (61) 3224-0599.

Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional 

A Orquestra Sinfônica de Brasília leva o mesmo nome do teatro em homenagem a seu idealizador, o maestro Cláudio Santoro. O maestro morou na cidade pela primeira vez em 1962, a convite de Darcy Ribeiro, que o intimou a organizar o Departamento de Música da UnB. Santoro saiu do país quando as forças militares invadiram a universidade, mas voltou em 1978 para organizar e dirigir a Orquestra Sinfônica.

Depois de ter sido regida por grandes nomes da música mundial, como o americano Ira Levin, o ítalo-brasileiro Silvio Barbato e a cubana Elena Herrera, a orquestra atualmente está nas mãos de um brasiliense, o maestro Cláudio Cohen, membro-fundador do grupo.

Endereço: Setor Cultural Norte, via N2.

Funcionamento: diariamente, das 9h às 20h.

Fone: (61) 3325 6239.

Cláudio Cohen 

Maestro e violinista brasiliense

Anuário do DF: Como o senhor encara o fato de ser o primeiro maestro brasiliense a reger a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional? É sinal de que Brasília e sua vida cultural já têm uma cara própria?

Claudio Cohen: Encaro o fato naturalmente como fruto de um trabalho de várias gerações de professores que vieram para cá e formaram músicos nesta cidade e que estão em destaque não só em Brasília, mas em todo o mundo. É sinal claro que Brasília tem autossuficiência no setor cultural musical.

Anuário do DF: É um lugar comum achar que o público da música clássica é um público da classe A, mas aqui em Brasília, pela localização central do Teatro Nacional e pelos projetos de apresentação gratuita, percebe-se que só deixa de ir aos concertos quem não tem oportunidade. O senhor faz a mesma avaliação?

Claudio Cohen: Sem dúvida. Todos têm oportunidade de assistir aos concertos que são em ótimo nível musical e ainda ver artistas convidados de todo Brasil e do mundo. Só não vai quem realmente não quer ou não sabe que existem esses espetáculos.

Anuário do DF: Quais os projetos da Orquestra para 2012?

Claudio Cohen: Em 2012 vamos realizar mais de setenta espetáculos, eruditos e populares, e ainda a 2ª edição do Festival de Ópera de Brasília, com os títulos Carmen, de Bizet; Olga, de Jorge Antunes; e La Bohème, de Puccini.

Claudio Cohen é membro fundador da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro e atual diretor da orquestra. Faz parte do Quarteto de Brasília, foi diretor de música da Academia Brasileira de Letras e Música e é detentor do titulo de Cidadão Honorário de Brasília.

BRAPO – Brasília Popular Orquestra 

A orquestra popular apelidada de Big Bad nos primórdios da era do jazz, é a banda com muitos músicos que misturam o repertório clássico com toques de outros ritmos musicas. Em Brasília, a BRAPO surge nos espaços da Escola de Música na década de 80. Fundada pelo Clarinetista, Saxofonista, Regente Manoel Carvalho, a banda consolida há 30 anos essa cultura musical no Distrito Federal. Com o repertório variado e animado, as canções passam pela Bossa Nova de Tom Jobim, pelo samba, pelo Baião de Luiz Gonzaga , pelo chorinho, frevo , tango e bolero sempre guiados pelo ritmo do jazz.

Tudo começou quando o então professor da Escola de Música de Brasília (EMB) Manoel Carvalho percebe a carência de uma Big Band na Capital. O entusiasmo surge pelos alunos e outros professores e os ensaios começam acontecer. A primeira apresentação ocorre no auditório da EMB em 1982. Ao longo de todos esses anos a Banda ganhou espaço nos congresso, formaturas, festivais, projetos da Secretaria de Cultura e Turismo e nas salas de espetáculos em Brasília.

Atualmente, a Big Bad – Brasília Popular Orquestra é formada por cinco saxofones, quatro trompetes, quatro trombones, piano, guitarra, contrabaixo, bateria, percussão, voz e tem como Band Leader o Maestro Manoel Carvalho.

Nosso Carnaval

Maior a cada ano, o carnaval de Brasília é o retrato do sincretismo musical da cidade. Cartões-postais, como a Esplanada dos Ministérios, e as mais diversas regiões administrativas são palco para os tradicionais blocos de rua. O Pacotão, uma tradição nascida em 1978, e a Baratona desfilam pelas ruas do Plano Piloto. Inspirado na tradição pernambucana do Galo da Madrugada, a capital do país também dança frevo no Galinho de Brasília. Para atender à comunidade afrodescendente, desde 1987 também sai às ruas o bloco Asé Dudu. E para quem pensa que Brasília não tem tradição própria, foliões de Taguatinga e de Ceilândia mostram a que vieram. O Mamãe Taguá, criado em 1995, conquista a população ao som de samba, frevos e maracatus. Criado no mesmo ano, o bloco Menino de Ceilândia se apega à cultura popular.

Sabemos que o carnaval é definido como liberdade e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecados e deveres. Numa palavra, trata-se de um momento onde se pode deixar de viver a vida como fardo e castigo. É, no fundo, a oportunidade de fazer tudo ao contrário: viver e ter uma experiência do mundo como excesso – mas agora com excesso de prazer, de riqueza (ou de “luxo”, como se fala no Rio de Janeiro), de alegria e de riso; de prazer sexual que fica – finalmente – ao alcance de todos. A “catástrofe” que o carnaval brasileiro possibilita é a da distrubição teórica do prazer sensual para todos. Tal como o desastre distribui o malefício ou a infelicidade para a sociedade, sem escolher entre ricos e pobres, como acontece normalmente, o carnaval faz o mesmo, só que ao contrário. […] Entre nós, brasileiros, realizar isso é poder descobrir que o carnaval é percebido como algo que vem de fora, como uma onda irresistível que nos domina, controla e, melhor ainda, seduz inapelavelmente.

DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1986.

Escola de Música

A Escola de Música de Brasília nasceu em meados dos anos 1970 e hoje oferece mais de trinta modalidades musicais para todos os níveis e idades. As oficinas de verão, que existem desde 2004, já formaram cerca de 16 mil alunos. Há 34 anos a escola também promove o Curso Internacional de Verão: em média, oitocentos alunos por ano assistem às aulas gratuitas com professores brasileiros e estrangeiros. A revista alemã ITS classificou a Escola de Música de Brasília como o maior e melhor centro público de formação de instrumentistas e cantores da América Latina e do Caribe.

Endereço: 602 Sul, Avenida L2.

Fones: (61) 3901-6760 / 7594.

Cinema: Brasília na telona

Uma das vantagens de ser uma cidade planejada e moderna é ter sua história – da construção aos últimos dias – filmada. Desde os primeiros tijolos, Brasília estava sendo observada por cinegrafistas e fotógrafos profissionais e amadores. Foi na capital do país que surgiu o primeiro curso superior de cinema do Brasil, em 1964, na Universidade de Brasília (UnB).

Ainda antes, porém, já havia cinematografia sobre a cidade. Cacá Diegues dirigiu, em 1960, o curta-metragem Brasília, no qual questionava se aquelas placas fincadas na terra vermelha do cerrado podiam ser chamadas de cidade. Todas as cópias do filme foram perdidas. Seis anos depois, Nelson Pereira dos Santos fez outro curta, o Fala, Brasília, em que professores e alunos da UnB revelaram a diversidade de sotaques que chegavam à nova capital. Hoje, dezenas de filmes retratam a cidade, a história passada e a em curso.

Além de uma frutífera produção, o Distrito Federal também é sede do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos mais tradicionais festivais do Brasil que, desde 1965, premia as melhores produções nacionais inéditas. Fernanda Montenegro, Arnaldo Jabor e Grande Otelo são os mais ilustres vencedores da primeira edição. Grande Otelo, inclusive, dá nome ao Polo de Cinema e Vídeo do DF.

A 45ª edição do festival ocorre em setembro de 2012. A mostra seguirá com as mudanças anunciadas em 2011: filmes inscritos não precisam mais ser inéditos e também podem ser em formato digital. O valor do prêmio foi turbinado: de R$ 80 mil para R$ 250 mil.

Brasília ocupa o quinto lugar no ranking de localidades com o maior número de cinemas por habitante, segundo pesquisa do Ministério da Cultura.

• Existem 79 salas de cinema no Distrito Federal listadas pela Secretaria de Cultura, sendo 31 delas fora do Plano Piloto.

• Segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), 143,9 milhões de ingressos de cinema foram vendidos em 2011, somando uma renda bruta de R$ 1,44 bilhão.

 

Fundação Cinememória

Para conhecer um pouco da história do cinema em Brasília, uma parada obrigatória é a Fundação Cinememória, na W3 Sul, criada pelo paraibano Vladimir Carvalho. O local abriga fotos, publicações e aparelhos antigos que contam a história do cinema na capital e no Brasil. O espaço também conta com uma biblioteca com acervo de 3 mil volumes sobre os cinemas brasileiro e internacional.

Fundador da Associação Brasileira de Documentaristas no DF e idealizador do primeiro Festival do Filme Brasiliense, Vladimir Carvalho faz parte da história do cinema brasiliense. Ele dirigiu filmes como Barra 68, O Itinerário de Niemeyer, Brasília Segundo Feldman e Rock Brasília: a era de ouro.

Endereço: 703 Sul, bloco G, casa 73.

Visitas devem ser agendadas pelo telefone (61) 3225-8680.

Cine Drive-in

Um dos últimos sobreviventes do estilo no Brasil, o Cine Drive-in de Brasília, inaugurado em 1973, possui 15 mil metros quadrados de área asfaltada, capaz de acomodar até quinhentos veículos. O cinema possui serviço de garçom, e o visitante ouve o som do filme sintonizando o rádio do carro na frequência determinada.

Endereço: Área Especial do autódromo de Brasília, Asa Norte.

Funcionamento: segunda a domingo, das 18h às 22h30.

Fone: (61) 3273-6255.