Capacitação e Especialização

Qualificação social e profissional 

O Brasil subiu cinco posições e ocupa o 53º lugar no ranking geral do Relatório Global de Competitividade 2011- 2012, mas a falta de mão de obra especializada e problemas de infraestrutura ainda impedem o país de conquistar lugares mais altos entre os mais competitivos do mundo.

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou a atenção por mostrar que quase 70% dos 1.616 empresários entrevistados reclamam da falta de mão de obra especializada e devidamente capacitada. Segundo o levantamento, 94% têm problemas para encontrar operadores para a produção, e 70% afirmam que a carência de profissionaisqualificadosprejudicaoaumentodacompetitividade. A questão passa por educação básica, capacitação específica e falta de entendimento dos processos de trabalho.

Pesquisa realizada pela Manpower, empresa que atua na área de recursos humanos, divulgada em março de 2012, reforça o déficit: o Brasil está na terceira colocação no ranking dos países que mais têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados para preencher vagas disponíveis.

Para a realização da pesquisa, foram entrevistados 40 mil empregadores em 39 países. O índice de empresários brasileiros que dizem não conseguir achar no mercado pessoas adequadas para o trabalho é de 57%, contra 34% da média global.

O comunicado Emprego e oferta qualificada de mão de obra no Brasil: projeções para 2011, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentou a estimativa da demanda e da oferta de mão de obra com qualificação e experiência profissional naquele ano. Cerca de 1 milhão de trabalhadores não foram absorvidos pelo mercado. O comunicado também mostrou que várias unidades da Federação e diversos setores da atividade econômica apresentam escassez de mão de obra de qualidade.

Mesmo que a estimativa tenha apresentado a falta de mão de obra e a sobra de trabalhadores no mercado, o número de pessoas ocupadas no país, com carteira assinada, apresenta crescimento: em 2011 cresceu 6,2% na comparação com 2010 – em valores absolutos, cerca de 696 mil novos contratos com carteira assinada. Na outra ponta, os empregados sem carteira registram um decréscimo de 5,3%. Por sua vez, o contingente de ocupados por conta própria apresenta comportamento praticamente estável ao regredir 0,6%.

Em relação à composição da força de trabalho por escolaridade, o grupo de trabalhadores com 11 ou mais anos de estudo completos foi o que mais se ampliou no contingente de ocupados, com variação bastante expressiva, acima de 165%, na comparação entre valores de 1996 e 2009.

No Distrito Federal, a taxa de desemprego passou de 11,5% em janeiro para 12,4% em fevereiro de 2012. Essa é a menor taxa para o período desde 1992, segundo os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).

Entre fevereiro de 2011 e fevereiro de 2012, 43 mil novas vagas formais de trabalho foram abertas na capital federal – um aumento de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, sendo 40 mil postos concentrados nos setores de serviços, comércio e indústria.

Em 2011, Brasília registrou a menor taxa de desemprego dos últimos vinte anos. Os índices de 11% em dezembro e de 12,4% no acumulado de 2011 são os menores percentuais desde o início da pesquisa.

O levantamento aponta queda significativa no número de trabalhadores em busca de emprego. Em dezembro de 2010, havia 174 mil desempregados no DF. Em dezembro de 2011 eram 155 mil.

Assim como no restante do Brasil, a qualificação da mão de obra continua sendo um desafio na capital. O DF, porém, é a única unidade da Federação em que mais da metade da população possui pelo menos dez anos de educação formal.

Cerca de um quarto da população concluiu o ensino médio, e quase 15% do total possui ensino superior. Dos adolescentes entre 15 e 17 anos, 91,7% estão na escola no DF: este é o melhor percentual do país (a média nacional é de 85,2%).

Segundo projeções do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), em 2010 quase 7 mil postos de trabalho ficaram desocupados no DF porque as empresas não conseguiram contratar pessoas qualificadas. A situação local não difere da realidade brasileira.

Uma das alternativas para acelerar a qualificação do trabalhador brasileiro é o investimento em cursos profissionalizantes, oferecidos em instituições privadas e governamentais. Exemplos positivos nessa área são os cursos disponibilizados pela Federação das Indústrias do DF (Fibra), que formou 12 mil pessoas em 2010, com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), e pelo Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF), que treina cerca de quinhentas pessoas por mês para atuar no setor.