Infraestrutura

Mobilidade urbana 

Um dos principais legados dos eventos esportivos que o Brasil e Brasília sediarão nos próximos anos será a melhoria dos sistemas de mobilidade urbana. Boa parte dos investimentos está concentrada nessa área, com o objetivo de incentivar políticas de transporte que proporcionem acesso aos espaços necessários de forma inclusiva e sustentável.

O Distrito Federal será palco da abertura da Copa das Confederações, de sete partidas da Copa do Mundo de 2014 – incluindo a decisão do terceiro e do quarto lugares – e receberá os pré-jogos olímpicos. Em preparação ao extenso calendário esportivo, o DF ganhou o projeto Sistema Integrado de Mobilidade (SIM), que reúne políticas públicas para o setor.

O projeto prevê o investimento de R$ 51 milhões na revitalização e na ampliação da malha viária e na expansão e na modernização dos meios de transporte público coletivo. Entre as ações, estão a construção de mais dez terminais rodoviários, a reforma e a ampliação de outros 12 e a compra de escadas rolantes e elevadores para garantir acessibilidade nesses lugares.

Brasília possui uma frota de 1,3 milhão de automóveis, tendo uma taxa de ocupação de 2,3 pessoas por veículo. Para melhorar o trânsito e diminuir o número de carros nas ruas, os investimentos priorizam o transporte público e focam no incentivo ao uso de meios não motorizados, a partir da construção de ciclovias, por exemplo.

As mudanças realizadas em 2011 já impactaram de forma positiva o transporte urbano do DF, com a criação de corredores exclusivos para ônibus, agilizando as viagens e descongestionando o trânsito. A construção de ciclovias oferece mais uma opção segura de deslocamento em várias cidades e no Plano Piloto.

Até 2014, novos investimentos estão previstos para melhorar o transporte no DF, como a troca de toda a frota de ônibus urbanos com mais de sete anos de circulação e a instalação de aparelhos de monitoramento para fiscalizar o cumprimento dos itinerários e dos horários das viagens. Outra obra que deve ganhar as ruas do DF é o Veículo Leve sobre Pneus (VLP), com investimento de R$ 587 milhões e prazo de entrega de 18 meses.

Os projetos de mobilidade também integram o Plano Diretor de Transporte Urbano do DF e Entorno (PDTU), que estima recursos na ordem dos R$ 7,8 bilhões em dez anos.

Transporte aéreo 

Muitos projetos serão concluídos nos próximos anos. Obras estão a todo vapor, como a reforma do Aeroporto InternacionalPresidenteJuscelinoKubitschek, um dos principais do país e da América Latina, com distribuição de mais de quatrocentos voos por dia e movimentação de 15 milhões de passageiros por ano.

Em 6 de fevereiro de 2012, foi leiloada a concessão do terminal de Brasília pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Outros dois aeroportos também foram leiloados: o de Guarulhos (Cumbica) e o de Campinas (Viracopos). A medida faz parte do Programa Nacional de Desestatização(PND) dogovernofederal.

A Anac arrecadou R$ 24.535.132.500 com os três maiores aeroportos do Brasil, valor quase cinco vezes maior que o previsto no edital de licitação, que era de R$ 5,5 bilhões. O aeroporto de Brasília foi arrematado por R$ 4.501.132.500 pelo consórcio Inframerica Aeroportos, composto pelas empresas Infravix Participações S. A. (50%) e Corporacion America S. A. (50%). Foi o maior valor acima da oferta mínima exigida pelo governo – R$ 582 milhões.

Até o fim da concessão do aeroporto de Brasília, com prazo de 25 anos, os investimentos previstos são de R$ 2,8 bilhões. As concessionárias terão também de realizar investimentos mínimos estabelecidos até a Copa de 2014. Em Brasília, estão previstos R$ 626,5 milhões a serem aplicados na construção de um novo terminal de passageiros, que terá capacidade para atender 2 milhões de pessoas por ano.

A Infraero continua com 49% das participações. A decisão, de acordo com o governo, não visa a interferir na gestão, mas, sim, a ter acesso aos dividendos criados pelos três aeroportos. Os terminais respondem conjuntamente pela movimentação de 30% dos passageiros, 57% da carga e 19% das aeronaves do sistema brasileiro.

NÚMEROS 
US$ 246 milhões
Valor do financiamento pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Programa Brasília Integrada.

VLT e VLP – soluções para a renovação do transporte urbano 

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é considerado umas das soluções mais modernas para atender às necessidades atuais de estruturação do transporte urbano. No Brasil, muitas cidades estudam a implantação de sistemas semelhantes.

Em Brasília, o projeto para instalar o VLT começou em 2007, mas as obras foram interrompidas pela Justiça por suspeita de fraude na licitação. O projeto integrava as obras de infraestrutura para os eventos esportivos que ocorrerão nos próximos anos, e 95% do seu custo de R$ 276,9 milhões seria financiado pela Caixa Econômica Federal (CEF). A previsão era que o VLT transportasse 12 mil passageiros por hora.

O governo do Distrito Federal analisa a viabilidade do projeto. Como o prazo mínimo para a construção é de 24 meses, ele não ficará pronto para a Copa de 2014. Se a proposta realmente for cancelada, estuda-se a compra de novecentos ônibus. Já o Veículo Leve sobre Pneus (VLP) sairá do papel e atenderá cerca de 20 mil pessoas por hora. O primeiro trecho ligará as regiões administrativas do Gama e de Santa Maria ao Plano Piloto, com expectativa inicial de diminuir o tempo de viagem de noventa para quarenta minutos. O projeto deve ficar pronto em junho de 2013, e seu custo total é de R$ 530 milhões.

O VLP é um sistema de transporte por veículos articulados ou biarticulados que trafegam em canaletas específicas. Com baixo impacto ambiental, o veículo é considerado um transporte de baixo custo e de rápida implantação. Entre as vantagens estão: alta velocidade comercial, menor investimento, menor custo por passageiro, estrutura viária leve e maior segurança e controle sobre o sistema.

Ainda em 2012, o governo do DF pretende dar início à licitação para a implantação do projeto do VLP também na saída norte da cidade, abrangendo Planaltina e Sobradinho. A expectativa é que as obras comecem em janeiro de 2013.

Ciclovia – uma solução sustentável 

O aumento expressivo de carros circulando pelas cidades colaborou com o avanço das discussões sobre as melhorias da mobilidade urbana e sobre a estruturação de medidas ambientalmente corretas.

Há muitas alternativas sendo pesquisadas e aplicadas em diversos países. Uma delas é o incentivo ao uso de bicicletas, como ocorre em Copenhagen (Dinamarca), Montreal (Canadá) e Pequim (China), com suas famosas ciclovias. A construção correta de ciclovias e de ciclofaixas e a implantação do tráfego compartilhado garantem um deslocamento seguro, estimulando o uso de bicicleta no cotidiano.

No Distrito Federal, fornecer condições para o uso de bicicleta como transporte é uma obrigação do governo prevista em lei. O Sistema Cicloviário do DF foi oficializado em 2009, com a publicação da Lei nº 4.397/2009 no Diário Oficial do DF. Uma breve análise positiva mostra que a cidade permite um deslocamento fácil, com vantagens viárias e topográficas, e pistas e canteiros com espaço para a instalação de ciclovias.

No segundo semestre de 2011, o Setor Sudoeste ganhou uma ciclovia com extensão de 24 km. Uma parte dela foi executada pela iniciativa privada, como compensação urbanística, e a outra realizada pelo governo. Outras ciclovias já estão sendo construídas no Gama (13,5 km) e em Ceilândia (8 km). Ainda em 2012 a Universidade de Brasília (UnB) também ganhará 12 km de ciclovia.

As obras são parte do Plano de Mobilidade Urbana do DF, que objetiva a construção de 600 km de ciclovias até 2014. As primeiras regiões beneficiadas serão as Asas Sul e Norte, os Lagos Sul e Norte, Ceilândia, Taguatinga, Gama, Guará, Park Way e Samambaia, com custo de R$ 122 milhões.

Ainda estão previstos a disponibilização de ciclofaixas de lazer, o oferecimento de vagas para bicicleta em edifícios públicos e a realização de um estudo para informar as rotas ciclísticas recomendáveis para o tráfego. Também é parte do projeto oferecer à população, até a Copa do Mundo de 2014, serviço de aluguel de bicicletas similar ao Bicing, de Barcelona (Espanha).