Responsabilidade Socioambiental

Sustentabilidade empresarial 

A responsabilidade ambiental de uma empresa também se reflete em sua estrutura física. A procura por construções sustentáveis é parte do cenário dos novos empreendimentos. São projetos com a preocupação de reduzir e otimizar recursos, como o consumo de energia e água, o gerenciamento de resíduos, reciclagem e reúso de materiais e de água tratada.

O conceito de sustentabilidade está relacionado a aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. A palavra sustentabilidade começou a ser usada na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, na Suécia, em junho de 1972: a primeira grande reunião internacional para debater as atividades humanas em relação ao meio ambiente.

No Brasil, o termo difundiu-se nos anos de 1990, sobretudo por conta da realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como Eco-92, que reuniu autoridades de todo o mundo no Rio de Janeiro. Em pauta, estava a busca por soluções para conciliar desenvolvimento socioeconômico e conservação e proteção dos ecossistemas.

Ações de sustentabilidade ganham cada vez mais espaço, contribuindo para a conscientização da preservação do meio ambiente. No mundo dos negócios, o conceito também se tornou prioridade em muitas empresas por meio dos projetos de responsabilidadeambiental, quetrazemumanova consciência sobre a preservação ambiental e a diminuição de custos, procedimentos que proporcionam aumento de produtividade.

Uma pesquisa realizada em 2007 pelo HSBC Climate Index indicou que os brasileiros são os mais preocupados e otimistas em relação às mudanças climáticas na comparação com a média global. Levantamento feito pelo instituto de pesquisa TNS Interscience mostra ainda que, para os consumidores, empresas que os respeitam devem ter a responsabilidade social como um dos valores da organização.

Conforme informações do Green Building Council Brasil (GBC Brasil), o país é o quarto no ranking mundial de construções sustentáveis, atrás dos Estados Unidos, dos Emirados Árabes e da China. Muitas empresas buscam soluções para entrar no mercado dos empreendimentos verdes, seja ofertando práticas seja ofertando serviços e materiais mais eficientes do ponto de vista socioambiental.

O GBC Brasil é uma organização não governamental que visa a fomentar a indústria de construção sustentável no país. Para isso, tem uma parceria atuante junto ao governo e a empresas que buscam a certificação LEED (sigla em inglês para liderança em design em energia e meio ambiente), que atesta a sustentabilidade de um empreendimento.

Os próprios estádios que estão sendo construídos para a Copa do Mundo de 2014 buscam a certificação LEED para as novas construções e as reformas. A CBG Brasil também participa da Câmara Temática de Sustentabilidade do Mundial.

Atualmente, o país apresenta crescimento significativo no setor, com quarenta empreendimentos já certificados pelo LEED e outros 371 registrados em busca do selo. A estimativa da organização é que em 2012 cerca de 650 projetos solicitem a certificação, que, se conquistada, pode significar redução do consumo de energia em 30% e de água em 50%.

Outro selo existente no mercado brasileiro é o Aqua, criado em 2008 pela Fundação Vanzolini, ligada à Universidade de São Paulo (USP). É um selo nacional que já certificou 39 empreendimentos, que compreendem 53 edifícios. Os números também crescem a cada ano: foram nove edifícios certificados em 2009, 16 em 2010, 26 em 2011.

A construção de um empreendimento verde pode custar a mais de 1% a 7% em média, mas a valorização na revenda é de 10% a 20%, além de reduzir em 30% os gastos com energia, 50% no consumo de água, 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além de redução média de 9% no custo de operação do empreendimento durante toda sua vida útil.

Os números revelam um processo de conscientização em ascensão no país, mas representam apenas1% emmédiadoslançamentosimobiliários. As expectativas são animadoras. Pesquisa da consultoria Cushman e Wakefield aponta que até 2013 cerca de 37% dos novos espaços em Brasília, Santos, Porto Alegre e Salvador serão prédios verdes.

Empreendimentos verdes 

O prédio verde Green Towers Brasília está em construção no Setor de Autarquias Norte e é considerado um dos primeiros empreendimentos imobiliários dentro dos padrões de sustentabilidade certificados pelo LEED na capital federal. O investimento é de R$ 500 milhões. O prédio ficará pronto ainda em 2012 e atenderá à demanda por escritórios de alto padrão de grandes grupos nacionais e multinacionais em Brasília.

O Setor Noroeste, mais novo bairro habitacional do Distrito Federal, também segue exigências ambientais e será considerado um bairro ecológico. O novo setor é a última área do Plano Piloto prevista para ocupação pelo arquiteto Lucio Costa. O projeto foi concebido em 1987, mas foi em 2007 que começou a se falar em um bairro ecologicamente correto, o que atraiu o setor privado.

O Noroeste deve criar cerca de 30 mil empregos diretos. São 15 mil unidades, distribuídas em 220 prédios. A população estimada é de 40 mil pessoas. As obras estão em andamento, apesar das polêmicas, uma vez que a área abrigava anteriormente uma reserva indígena e boa parte da plantação nativa.

De acordo com a ideia original, o novo setor terá diversos conceitos sustentáveis, como o não acúmulo de entulho e projetos de paisagismo que priorizarão a vegetação nativa. No bairro, pretende-se tirar das ruas os caminhões de coleta de lixo e os contêineres. O lixo será retirado do imóvel por uma rede de sucção formada por tubos e canos que o levará até uma central de reciclagem e tratamento.

Ainda segundo o projeto inicial, o bairro terá lagos de contenção para facilitar a drenagem e será proibido o uso de chuveiros elétricos. Os prédios terão coletor solar e janelas grandes para absorver o máximo de luminosidade natural.

Os investimentos em um projeto verde também alavancaram o preço do metro quadrado médio em 2011 para algo em torno de R$ 8 mil. Em alguns empreendimentos, no entanto, o valor alcança R$ 12 mil, o que faz a área ser uma das mais valorizadas do DF, juntamente com condomínios às margens do Lago Paranoá.

O bairro seguirá padrão semelhante ao das superquadras, com prédios de até seis pavimentos. Estima-se que sua ocupação leve ainda pelo menos dez anos para estar totalmente concluída.

Mansões Park Way, o cinturão verde do DF

O setor de mansões do Park Way completou 51 anos em 2012. A região abriga importantes reservas ecológicas e recursos hídricos e no último ano ganhou melhorias, como a reforma da tubulação do Córrego Ipê Coqueiros e a construção de 2 mil metros de calçada.

Em janeiro de 2012 foi oficializada a regulamentação dos terrenos na Área de Proteção Ambiental (APA) Gama Cabeça de Veado, que consiste em estudo ambiental para comprovar que a construção de casas na área não agride o meio ambiente.

A APA Gama Cabeça de Veado ocupa também parte do Setor de Mansões Dom Bosco (SMDB) e do Setor de Habitações Individuais Sul (SHIS). A regularização ambiental integra uma série de ações implantadas pelo governo do DF no Park Way e em todas as áreas administrativas.

Estádio Nacional Mané Garrincha é referência em soluções verdes 

O novo Estádio Nacional Mané Garrincha é exemplo de sustentabilidade. A obra da ecoarena, como tem sido chamada, deverá ficar pronta em dezembro de 2012, com o custo de R$ 800 milhões, R$ 129 milhões a mais que o orçamento inicial (R$ 671 milhões). O aumento deve-se à licitação para a cobertura do espaço.

Para receber o selo LEED, o estádio ainda passará por uma última vistoria no mês previsto para a entrega da obra. Outro reconhecimento conquistado foi o importante certificado internacional SA 8000 (Social AccountAbility 8000), que aponta o cumprimento de padrões salariais e de segurança do trabalho por meio de práticas sociais de emprego com base nas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Desde o início, as obras seguem as concepções de uma construção verde, como gestão dos resíduos sólidos, que são reciclados. Além disso, a água da chuva será armazenada em tanques embaixo do campo de futebol e posteriormente utilizada para irrigar o gramado e limpar a construção. As placas solares instaladas no teto da edificação produzirão 2,5 megawatts, energia suficiente para iluminar toda a área.

A posição do estádio também contribui para o melhoraproveitamentodailuminaçãonatural. Ainda haverá no local bicicletários e ciclovias para reduzir o número de vagas no estacionamento e incentivar o uso de meios de transporte não motorizados.

O Estádio Nacional é considerado uma das obras para a Copa do Mundo de 2014 mais adiantadas, com mais da metade de sua execução concluída. Cerca de 3 mil operários atuam no canteiro, em três turnos.

NÚMERO 
70 mil
Capacidade do Estádio Nacional

Foto: Antonio Khouri

Arena multiuso 

Além das importantes partidas de futebol, o estádio estará preparado para receber eventos e shows de grande porte. Será realizada uma licitação internacional para que uma empresa especializada em entretenimento o administre e potencialize o desenvolvimento econômico da capital federal. A empresa vencedora deverá inserir Brasília em um calendário de eventos e shows internacionais. A intenção é que o estádio seja a melhor arena para shows da América Latina.

Desafios ambientais no Distrito Federal

No Distrito Federal, as ações de sustentabilidade são comandadas pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, que antes tinha status de subsecretaria. Um dos grandes problemas no DF é o surgimento desordenado de condomínios horizontais. O governo prometeu regularizar até 2014 a maioria dos 570 mapeados, onde se estima que viva um quarto da população do DF, calculada pelo último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2,4 milhões de pessoas.

Outros problemas ambientais no DF são as fazendas de plantio e gado que avançam no Entorno de Brasília utilizando queimadas para limpar a área. A qualidade do ar piora a cada ano, tornando o clima do DF ainda mais quente e seco. O aumento da frota de 1,3 milhão de veículos também agrava a poluição.

Também preocupa o desaparecimento do cerrado. O desmatamento desse bioma para expansão urbana e rural é constante. A agricultura e a pastagem substituíram boa parte da vegetação nativa. A urbanização crescente, sem planejamento e com destruição de áreas verdes, provocou a extinção de 73% da vegetação original do cerrado no DF.

Existem algumas ações emergenciais implantadas pelo governo: recuperação de Áreas de Preservação Ambiental (APA) invadidas; separação, aproveitamento e destinação de resíduos sólidos produzidos; e a possibilidade de aproveitamento dos resíduos da construção civil na pavimentação ou na construção de blocos para caixas de águas pluviais.

Se todas as metas forem cumpridas, Brasília tornar-se-á um exemplo de sustentabilidade para todo o país. Para que a capital federal se torne modelo, é necessário intensificar as ações voltadas para a preservação dos recursos naturais.

O Ibram também é um órgão executor de políticas públicas ambientais e de recursos hídricos no DF. Possui autonomia administrativa, financeira e patrimonial e tem liberdade para celebrar contratos, acordos e convênios com instituições públicas e privadas (nacionais e internacionais) e cooperativas.

Também é função do Ibram controlar e fiscalizar o manejo dos recursos naturais para favorecer o desenvolvimento sustentável no DF, ou seja, garantir à população os benefícios alcançados pelo crescimento econômico sem colocar em risco a qualidade de vida dos moradores.

Brasília Sustentável II 

O programa Brasília Sustentável teve início em 2008, mas foi assumido e intensificado no governo atual. Coordenado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (Adasa), o programa pretende assegurar a qualidade dos recursos hídricos do DF, promovendo a melhoria das condições de vida da população e uma gestão sustentável do território por meioderegularizaçãofundiária, desenvolvimento institucional, inclusão social e redução da pobreza.

Neste ano, o governo do DF manifestou ao Banco Mundial (Bird) a intenção de criar o Programa Brasília Sustentável II, tendo como foco as obras viárias e urbanísticas no Condomínio Pôr do Sol, em Ceilândia, a construção de novo aterro sanitário em Samambaia e a recuperação ambiental do aterro do Jóquei.

Esta é uma nova etapa após a conclusão do Brasília Sustentável I, que já aplicou recursos em obras de infraestrutura, como saneamento, pavimentação, melhoria no sistema viário e implantação de equipamentos públicos na Cidade Estrutural. O programa também foi responsável pela implantação do Núcleo Rural Monjolo, onde foram assentados setenta produtores rurais oriundos da Vila Estrutural.

O Bird deverá desembolsar ainda US$ 18 milhões. O programa foi orçado em US$ 117 milhões, repartidos entre o GDF e o Banco Mundial.

Foto: Kazuo Okubo

Gestão de resíduos é prioridade no DF 

O governo do Distrito Federal implantará o Polo de Resíduos da Cidade Estrutural, primeiro passo para eliminação do lixão e começar a política de resíduos sólidos, que estabelece regras para coleta, tratamento e deposição final adequada do ponto de vista ambiental.

Para desativar o lixão da Estrutural, a primeira medida será a construção de um aterro sanitário. Outras medidas serão a coleta seletiva para diminuir a quantidade de lixo a ser aterrado e a implantação de um polo de reciclagem, com participação de indústrias ligadas ao beneficiamento de resíduos e utilização de material reciclado em sua linha produtiva, além da construção de seis áreas de transbordo, triagem e reciclagem dos resíduos sólidos.

A maior parte do material depositado no lixão é de resíduos da construção civil. Serão criados cem polos de coleta de lixo chamados de ecopontos, para onde serão enviados entulhos de obras, restos de podas de árvores e móveis e eletrodomésticos descartados pela população, entre outros.

Também serão reativadas as duas usinas de compostagem que já existem, uma no P Sul, em Ceilândia, e outra na avenida L4, na Asa Sul, além da construção de mais duas unidades de tratamento. A política de resíduos sólidos também prevê a criação de seis centros de triagem para reciclagem do lixo seco e de postos de entrega voluntária de materiais recicláveis em pontos estratégicos da cidade.

O DF produz atualmente cerca de 8 mil toneladas de lixo por dia. Destas, 5 mil são de lixo da construção civil e o restante é lixo domiciliar e comercial. Todo esse volume é destinado hoje ao lixão da Estrutural. Apenas cem toneladas do lixo das casas e dos comércios são recicladas.