Vocações Produtivas

Construção Civil

A vocação de Brasília para grandes obras é indiscutível. Desde a construção da cidade, em tempo recorde, a capital demonstra dinamismo acima da média no setor. O crescimento populacional, a migração, a alta renda e o padrão de qualidade de vida estimulam o mercado brasiliense, que, segundo Júlio Peres, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF) é o segundo maior do país, atrás somente de São Paulo. Não é para menos: o mercado de Brasília cresce, historicamente, a uma velocidade maior do que a dos demais centros urbanos.

Nos últimos três anos, o setor da construção civil cresceu em torno de 25% no DF. Apesar da falta de números oficiais, a estimativa do Sinduscon é que o volume de negócios desta indústria já chegue a R$ 3,5 bilhões anuais. Até 2009, o montante representava cerca de 13% de todo o PIB brasiliense, de acordo com o sindicato. Somente para o mercado imobiliário, a entidade calcula que esse número possa chegar a R$ 4,5 bilhões.

O impacto na renda e na vida de Brasília é enorme. O setor emprega sozinho 68 mil trabalhadores no DF, de acordo com a última Pesquisa de Emprego e Desemprego do DF (PED-DF), sem contar os empregos indiretos.

Foto: Marcelo Terraza

Indústria gráfica

O parque gráfico do DF é composto por 510 gráficas (dados do Censo da Indústria Gráfica do Distrito Federal de 2003) que empregam cerca de 5 mil profissionais diretamente e geram 15 mil postos de trabalho indiretos. A maioria das empresas concentra-se no Setor de Indústrias Gráficas (SIG). O segmento corresponde a quase 20% do PIB da indústria de transformação, o que representa aproximadamente 2,5% de toda a riqueza do DF. A relevância da indústria gráfica no DF é muito maior do que a média nacional, em que o segmento gráfico corresponde a apenas 3,71% de toda a produção da indústria de transformação brasileira.

A indústria gráfica de Brasília é uma das quatro maiores do país. Movimentando cerca de R$ 300 milhões por ano, participa com cerca de 7% do faturamento do segmento em nível nacional.

O dinamismo do segmento é garantido graças ao alto investimento em capacitação e tecnologia. Dados de 2009 demonstram que o aumento efetivodemáquinaseequipamentossuperou30%. Esse percentual de crescimento da estrutura coloca o parque gráfico da capital como um dos mais modernos e um dos que mais investem em tecnologia no país. Os investimentos privados realizados em equipamentos de produção (pré-impressão, impressão e acabamento) ultrapassaram em três anos – de 2007 a 2009 – a cifra de R$ 55 milhões.

Os maiores compradores são os governos federal e distrital. Em alguns períodos, essa demanda consome 70% de toda a produção da indústria gráfica. Ainda assim, os empresários reclamam da falta de apoio governamental.

Segundo o Sindicato das Indústrias Gráficas do DF (Sindigraf-DF), o segmento enfrenta uma crise nos últimos 10 anos. O consumo médio de papel das gráficas está estagnado em 2 mil toneladas por mês, fato gerado pela alta ociosidade das empresas, que gira em torno de 40%. Ainda de acordo com o sindicato, essa baixa produtividade tem como principal causa o envio de trabalhos, por parte daqueles que detêm o poder de decisão, o monopólio das ações publicitárias e das agências de publicidade, para fora do Distrito Federal.

Indústria do vestuário

Brasília é o quinto maior polo de vestuário do Brasil. Em março de 2012, na comparação com o mês do ano passado, o faturamento do vestuário cresceu 25,6% que corresponde a 725 milhões no Distrito Federal, de acordo com o Sindicato da Indústria do Vestuário do DF (Sindvest-DF). Com esse montante, a capital perde apenas para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre em volume de negócios.

De acordo com Paulo Eduardo Montenegro, presidente do Sindvest-DF, pouco mais de 30% desse valor foram de fato produzidos por indústrias brasilienses. O resto da produção veio de fora. “Temos um mercado consumidor fantástico. Precisamos aproveitar melhor esse potencial com produção da indústria daqui”, defende.

Além do consumo do comércio, a demanda da indústria no DF é estimulada pela necessidade de uniformes escolares e profissionais. Só as escolas públicas demandam mais de 550 mil camisetas por ano. Entre fardas de policiais militares e bombeiros do DF são confeccionadas cerca de 10 mil peças por mês.

Ainda de acordo com o sindicato, há 541 indústrias do segmento no DF, divididas em cinco frentes de produção: malharia (uniformes profissionais e escolares), moda masculina, moda feminina, moda praia e fitness. A maioria das fábricas são micro e pequenas empresas. O segmento gera cerca de dez mil empregos diretos. A maior parte das empresas de confecções está concentrada em Brasília, Taguatinga, Guará, Ceilândia e Samambaia.

A indústria dos concursos 

Brasília respira concursos públicos. Esse é o sonho de grande parte dos jovens que estudam e se preparam, muitas vezes por anos seguidos, para alcançar o tão sonhado posto. A estabilidade e uma série de outras vantagens estimulam e acirram a disputa pela vaga. A preparação exige cursos com professores renomados, livros, revistas, vídeos e uma série de outros recursos e produtos que movimentam uma verdadeira indústria na capital federal.

Cerca de um terço dos alunos de cursos preparatórios de Brasília vem de fora do Distrito Federal. Eles estimulam uma extensa rede de hotéis, pousadas, apartamentos, além de alimentação, transporte e lazer.

De acordo com a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), o montante gerado pela indústria dos concursos públicos no DF já passa de R$ 1 bilhão por ano, e a indústria não para de crescer. A média de crescimento dos cursos preparatórios ultrapassou 40% nos últimos três anos.

O peso do setor público é relevante em Brasília: 53,6% de toda a riqueza produzida no DF vem da administração pública: o setor emprega 195 mil pessoas na capital.

A estimativa de José Wilson Granjeiro, proprietário do Gran Cursos, um dos maiores cursinhos preparatórios de Brasília, é de que haja cerca de 12 milhões de concurseiros em todo o país. No DF, eles chegam a 350 mil. Segundo Granjeiro, apenas 10% desses concorrentes estudam em cursos preparatórios.

Pactos para o desenvolvimento 

A Federação das Indústrias do DF (Fibra) e o Governo do Distrito Federal (GDF) assinaram um compromisso para reafirmar a estabilidade econômica e política da capital federal. O documento recebeu o título “Brasília – trabalho, desenvolvimento e futuro” e traz considerações e reivindicações sobre o atual cenário econômico e político do DF.

Outra proposta em apreciação na Câmara Legislativa é o novo projeto de desenvolvimento econômico do DF, que foi apresentado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e organizado por diversas áreas do governo e segmentos da sociedade.

Entre as mudanças está a alteração do nome Pró-DF II para Ideas (Incentivo ao Desenvolvimento Econômico, Ambiental e Social), além da queda na taxa de juros do Incentivo Creditício. A cobrança relacionada à ocupação do terreno também será comprimida.

Outra associação criada para melhorar o desenvolvimento local é o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Distrito Federal (CDES-DF), que tem a missão de unir, por meio do diálogo social, representantes do GDF e da sociedade civil organizada local para identificar obstáculos e mapear potencialidades referentes ao desenvolvimento econômico, social e sustentável.

O Conselho é composto por oitenta membros, representantes do governo, de empresas públicas e privadas e de lideranças representativas de diferentes segmentos da sociedade. O mandato é de um ano e não há remuneração.