Economia

Setor de alimentação vive momento positivo e apresenta oportunidades promissoras no DF 

Apenas em 2011, a alimentação e a gastronomia movimentaram R$ 180 bilhões no Brasil, e este setor apresentou um crescimento de 80% nos últimos cinco anos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 31% do orçamento alimentar das famílias é gasto com alimentação fora do lar. A previsão é de que esse índice chegue a 38% até 2014, devido ao crescimento do número de estabelecimentos, vagas no setor e cursos para os profissionais da área.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2011, seis milhões de pessoas fizeram parte deste setor, que está em acelerado crescimento, motivado pelas transformações econômicas e sociais do país, e que já emprega mais gente do que a construção civil.

No Brasil, este ramo da economia fechou o ano de 2010 com uma receita recorde de R$ 73 bilhões, segundo cálculos da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que reúne cerca de 1 milhão de estabelecimentos em todo o país. Atualmente, bares, restaurantes, padarias e similares representam 2,4% do PIB brasileiro e quase 40% do PIB do turismo. O PIB do Turismo em 2011 foi de R$127 bilhões, sob a ótica da oferta, o que equivale a 3,6% de participação do setor na economia. Serviços de alimentação e transporte aéreo são o segmento de maior peso nesta soma.

Para se ter uma ideia do potencial deste ramo de atividades, ainda em 2003, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) já revelava que a alimentação e a gastronomia foram responsáveis por cerca de 65% dos empregos gerados com o turismo naquele ano, o que confirma a capacidade de geração de emprego e renda do setor.

A capital federal, por sua vez, vive um momento de expansão da área de gastronomia. Por apresentar uma rica diversidade cultural e a maior renda per capita do Brasil (em 2011 a média chegou a R$ 60 mill anuais, segundo dados da Companhia de Planejamento do DF – Codeplan) , a região tem atraído importantes grupos nos últimos anos. Chegaram ao Planalto Central redes de restaurantes como Avenida Paulista, Galeto’s, Gero, A Bela Sintra e Pobre Juan, dentre outros, o que transformou Brasília no 3º polo gastronômico do país.

Em 2010, o DF apresentou elevação do PIB de 3,5% em relação a 2009. Na estrutura produtiva local, o setor terciário responde por cerca de 93% do PIB total. Em 2011, o melhor desempenho econômico foi registrado pelo setor agropecuário (3,9%), seguido pelo setor de serviços (2,7%) e pela indústria (1,6%).

O número de estabelecimentos gastronômicos saltou de 100 em 2000 para mais de 500 em 2010, de acordo com estimativas da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel- DF). Dados do IBGE revelam que, no mesmo ano, o DF contava com mais de mil unidades de alojamento e alimentação (incluindo hotéis, restaurantes e similares), que empregaram cerca de 50 mil pessoas, com um salário médio mensal de R$ 1,6 mil.

Atualmente, existem no Distrito Federal 10.100 estabelecimentos que geram mais de 100 mil empregos, segundo o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar). A entidade estima que cada emprego direto crie três indiretos na região, por se tratar de uma cadeia diversificada, que abrange a produção e a industrialização de alimentos e engloba desde a embalagem de frutas e legumes até a fabricação de bebidas, pães, biscoitos, massas e cortes de aves.

No Distrito Federal, a parte mais relevante dessa cadeia produtiva é o segmento de produção de alimentos industrializados, que reúne 18 mil trabalhadores diretos e 30 mil indiretos, segundo dados do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Brasília (Siab).

A maior parte deste segmento fica no Polo de Desenvolvimento Juscelino Kubitschek (Polo JK), área criada para promover o desenvolvimento industrial e comercial de grande porte no DF. Localizado na Região Administrativa de Santa Maria, conta hoje com cerca de 150 indústrias.

Sediada no Polo, a Asa Alimentos é um dos exemplos bem-sucedidos da região. Uma das principais produtoras de ovos para incubação e de pintos de um dia do Brasil , a empresa do Grupo ASA possui produção superior a 16 milhões de ovos férteis por mês, e parte dela é exportada para a América Latina, a Europa e a África, por meio de uma trade denominada Brazilian Hatching Eggs, voltada exclusivamente para a exportação de ovos férteis.

Capacitação deve explorar diversos aspectos e gerar novas perspectivas 

A falta de especialização da mão de obra parece ser uma unanimidade nos restaurantes da capital federal. Para Jaime Recena, presidente da Abrasel-DF, este quesito não acompanhou a “gigantesca” expansão local vivida nos últimos dez anos. Ele avalia que , hoje, o mercado gastronômico não é mais para amadores. “ É tudo muito profissionalizado na gestão e na elaboração dos pratos, e o controle da vigilância sanitária é muito mais rigoroso. O nó ainda está na qualificação da mão de obra”, reforça Recena.

O Sindicato das Indústrias de Alimentação de Brasília (Siab) diagnostica que, por um lado, ainda são poucas as opções de formação. Nos cursos que já existem, a carga horária e o conteúdo ainda são insuficientes. A entidade avalia que, para um bom atendimento, além da técnica de bem servir, os profissionais do setor de alimentação devem lidar com questões de higiene, conhecimento do cardápio e atendimento ao cliente, além de uma certa dose de preparo físico e psicológico.

Foto: Divulgação IESB