Geografia

Cerrado: belezas que geram riquezas 

Brasília está no centro do país e dentro de um dos maiores e mais importantes biomas. Com cerca de 203 milhões de hectares, o cerrado ocupa quase um quarto do território nacional. Sua área contínua engloba Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além de parte do Amapá, de Roraima e do Amazonas. Esse vasto espaço territorial abrange as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul – Amazônica/ Tocantins, São Francisco e Prata –, importantes fontes de recursos hídricos.

O cerrado engloba um terço do conjunto da fauna e da flora brasileiras e 5% da proporção mundial. É a savana com maior biodiversidade no planeta, abrigando, nos diversos ecossistemas, uma flora com mais de 11 mil espécies de plantas nativas. Dessas, 4,4 mil são endêmicas, ou seja, são exclusivas daqueles locais.

A vegetação é marcada por arbustos retorcidos e, em sua maioria, de médio e pequeno portes. Trata-se de uma forma de adaptação ao solo ácido, servindo como defesa para suportar o período de seca e as frequentes queimadas.

Segundo a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), a flora da região é composta por cerca de 1,6 mil espécies de plantas, distribuídas em seiscentos gêneros pertencentes a 150 famílias, sendo 95% naturais dos campos, dos cerrados e de outros ambientes de matas, onde se encontram cerca de 650 espécies.

Os pesquisadores Roberta Maria Costa e Lima e Manoel Cláudio da Silva Júnior, da Universidade de Brasília (UnB), contaram mais de 15,2 mil árvores de 162 espécies diferentes espalhadas pelas quadras residenciais do Plano Piloto. Segundo o estudo, as mais frequentes são mangueiras, cambuí, jambolão, saboneteira, fícus, sibipiruna, espatódea, abacateiro, amendoim-bravo e ipê rosa.

É comum entre os moradores de Brasília recolher mangas das árvores perto de suas residências e levar para as fruteiras de casa ou mesmo comer amoras enquanto passeiam pelo Eixão, fechado aos domingos e feriados para lazer. Jacas também são facilmente encontradas e cobiçadas.

As frutas do cerrado possuem importante valor comercial. O pequi, por exemplo, é bastante conhecido na Região Centro-Oeste por ser muito utilizado na culinária goiana e, indiretamente, na do Distrito Federal. O licor extraído do pequi é exportado até para o Japão. Por sua vez, a amêndoa de baru chama a atenção dos alemães. Muitos chefs da alta gastronomia adicionam em suas misturas frutas nativas do cerrado.

O incentivo à pesquisa no campo também é um destaque no DF. A Embrapa Cerrados iniciou, em 1999, a plantação do pequi e da mangaba para pesquisa com o objetivo de avaliar o comportamento dessas espécies em condições de cultivo e melhorar o material genético. O investimento na domesticação dessas frutas facilita o cultivo em lavouras comerciais, aquece a agroindústria e evita riscos de extinção das espécies, além de aumentar a renda dos agricultores.

As flores nativas fazem parte da cultura local e geram renda para muitos brasilienses. Além de serem vendidas no comércio e em feiras, empolgam muitos artistas da região. O grupo Flor do Cerrado, por exemplo, nascido em 2002 na cidade de Samambaia, usa o que sobra do cerrado para fazer broches, colares, roupas, objetos de decoração e buquês de noivas. As vinte artesãs produzem cerca de mil peças por mês, vendidas para todo o Brasil e o exterior.

Há ainda os artistas que utilizam as belas paisagens do cerrado como arte: o céu de cores vivas como aquarela, as árvores sem simetria como modelo e as folhas, flores e cascos secos como matéria-prima. São vários os exemplos de que é possível produzir de forma sustentável e preservar o que pode ser uma inesgotável fonte de inspiração.

Fauna 

O Distrito Federal, localizado no centro da região do cerrado, abriga diversas espécies animais. Elas podem ser divididas em três componentes, de acordo com a relação que possuem com o sol.

Recursos hídricos 

As principais bacias do Distrito Federal – Preto, São Bartolomeu, Descoberto e Maranhão – drenam 95% do território da região, alimentando as bacias das regiões hidrográficas do Paraná, do Tocantins, do Araguaia e do São Francisco. Outras duas bacias existentes no DF são Corumbá e São Marcos.

A bacia do rio São Bartolomeu é a maior, com aproximadamente50% daáreatotal, equivalentea 2.864,05 km², de acordo com dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). A bacia do rio Preto ocupa 23% da área total e drena 1.343,75 km²; o rio Descoberto, com 14% da área total, drena 825 km², e o rio Maranhão, com 13% da área, drena 750 km². Mesmo com uma extensão considerável, a rede hidrográfica do DF não é propícia para a pesca em escala comercial nem apresenta condições de navegabilidade.

Segundo o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram), há no DF situações de graves conflitos ambientais quanto à ocupação do solo e ao uso dos recursos hídricos. A realidade é consequência do boom populacional e da intensificação das atividades econômicas nos setores agropecuário, industrial e de serviços nos últimos anos.

Algumas bacias hidrográficas estão em situações preocupantes. É preciso tomar medidas de curto e médio prazos que levem em conta a racionalização no uso da água e de outros recursos ambientais. Da parte governamental, faz-se necessária uma ação conjunta entre as esferas federal, distrital e estadual (de Goiás e Minas Gerais) para debater e encontrar soluções que garantam políticas de sustentabilidade capazes de equacionar o rápido crescimento populacional, a questão do abastecimento de água e o tratamento dos esgotos. Só assim a qualidade e a quantidade dos mananciais hídricos, dos solos e da biodiversidade serão preservadas.

Mananciais hídricos garantirão a biodiversidade – Foto: Kazuo Okubo

O clima 

No Distrito Federal, o clima predominante é o tropical sazonal. As chuvas ocorrem com mais frequência entre os meses de novembro e janeiro, e o período de seca vai de junho até meados de setembro, pelo menos em tese. As mudanças climáticas têm alterado esses cronogramas em Brasília, no Brasil e no mundo.

São três os subtipos climáticos do DF: tropical (nas localizações abaixo de mil metros acima do nível do mar), com temperaturas frias superiores a 18 ºC; tropical de altitude (entre mil metros e 1,2 mil metros acima do nível do mar), com temperaturas no inverno inferiores a 18 ºC e média superior a 22 ºC no verão; e tropical de altitude (em locais acima de 1,2 mil metros do nível do mar), cujas temperaturas vão de menos de 18 ºC no mês mais frio e não ultrapassam os 22 ºC no período mais quente.

Entre maio e setembro, os índices pluviométricos mensais caem bastante, e a umidade relativa do ar permanece entre 10% e 30%, podendo ocorrer secas prolongadas.

O período mais extenso de estiagem ocorreu em 2008, quando o DF enfrentou uma seca severa de 123 dias, e no dia 28 de outubro os termômetros registraram 35,8 ºC. Dos cinco dias mais frios da história da cidade, quatro aconteceram entre 1962 e 1978, inclusive a mínima absoluta de 1,6 ºC, em 1975. Nos últimos dez anos, a mínima registrada foi na noite de 18 de julho de 2000: 8,2 ºC.

Com altas temperaturas e clima seco, são comuns aos habitantes e aos turistas sintomas como sangramento nasal, mal-estar, tontura, pele seca, olhos vermelhos, boca seca e lábios rachados. Para evitá-los, são indispensáveis alguns cuidados: beber bastante água, usar protetor solar e cremes hidratantes na pele e protetor labial e manteiga de cacau para evitar rachadura nos lábios, fazer refeições leves com muitas frutas, diminuir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e bebidas com cafeína e evitar a prática de exercícios físicos nos horários mais quentes do dia, estas são algumas recomendações dos médicos para driblar a baixa umidade.