Localização

Brasília trouxe o progresso para o interior 

Partindo da ideia de integrar e modernizar o Brasil, a criação da nova capital fez com que o desenvolvimento, antes restrito ao litoral, se expandisse para o restante do país.

Primeiro, surgiram os povoados, que hoje são conhecidos como regiões administrativas. A criação de núcleos habitacionais ocorreu na mesma época da construção da capital. Eles abrigavam os trabalhadores responsáveis pela obra. Em 1956, surgiu a Cidade Livre, depois denominada Núcleo Bandeirante. O Paranoá foi o lugar escolhido pelos operários que trabalhavam na barragem do lago Paranoá em 1957. Depois foram criadas Taguatinga (1958) e Gama e Sobradinho (1960).

Em 1964, foi sancionada uma lei que dividiu o território do DF em oito regiões administrativas, incluindo municípios que antes pertenciam ao estado de Goiás, como Planaltina e Brazlândia. As regiões administrativas foram surgindo ao longo dos anos, até que, em 2012, chegou ao número atual: 31. São elas: Brasília, Gama, Taguatinga, Brazlândia, Sobradinho, Planaltina, Paranoá, Núcleo Bandeirante, Ceilândia, Guará, Cruzeiro, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Recanto das Emas, Lago Sul, Riacho Fundo, Lago Norte, Candangolândia, Águas Claras, Riacho Fundo II, Sudoeste/Octogonal, Varjão, ParkWay, SCIA/Estrutural, Sobradinho II, Jardim Botânico, Itapoã, SIA, Vicente Pires e Fercal.

Candangos: a origem da diversidade 

A construção de Brasília atraiu pessoas de todo o Brasil em busca de emprego e oportunidades. Famílias inteiras migraram para o centro do país, onde não apenas ajudaram a fundar a nova capital, como criaram laços e reconstruíram lares. Esses trabalhadores ganharam o nome de candangos. Trabalharam pesado e foram chamados de guerreiros pelo então presidente Juscelino Kubistchek.

Os cerca de 60 mil operários saíram de todas as regiões brasileiras, principalmente do Nordeste e dos estados vizinhos Goiás e Minas Gerais. Eles moravam, em geral, em barracos de madeira e chegavam a cumprir jornadas diárias de até 12 horas para conseguir inaugurar a cidade na data determinada. O serviço invadia a madrugada para que a construção nunca parasse.

Representados na escultura de Bruno Giorgi, localizada na Praça dos Três Poderes, os pioneiros de Brasília trabalharam intensamente por três anos para realizar o sonho de JK de construir a nova capital no centro do país.

Hoje, Brasília é um centro de diversidades culturais, um lugar que reúne baianos e mineiros, goianos e paulistas. Após enfrentarem tantas dificuldades, os candangos viraram sinônimo de coragem, luta e identidade nacional.

A escultura de Bruno Giorgi homenageia os candangos que construíram a capital – Foto: Kazuo Okubo

Ride – Região Integrada de Desenvolvimento Econômico 

O crescimento da região não parou só nas regiões administrativas. Os municípios de Minas Gerais e Goiás próximos à nova capital foram ficando cada vez mais populosos. O aumento de habitantes trouxe como consequência uma amplitude das necessidades das cidades interioranas que foram ficando cada vez mais desenvolvidas.

O Entorno do Distrito Federal cresce em ritmo mais acelerado que o próprio DF. De acordo com dados do Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as 22 cidades goianas e mineiras limítrofes sofreram aumento populacional de 27,2% entre 2000 e 2010. Se antes eram 906.275 moradores, no ano passado foram contabilizados 1.152.725. No DF, o crescimento demográfico foi de 24,9% em 10 anos (a média nacional é de 12,3%).

Algumas cidades tiveram saltos impressionantes na população. Águas Lindas (GO) teve aumento de 50,8% no número de moradores, chegando à marca de 159.505 aguaslindenses. Ainda tiveram incremento maior que o Distrito Federal os municípios goianos de Valparaíso (40,1%), Cidade Ocidental (38,4%) e Novo Gama (27,7%). Abaixo da média do DF, embora com inchaço populacional, estão três grandes cidades: Luziânia (23,7%), Santo Antônio do Descoberto (21,7%) e Planaltina de Goiás (10,7%).

Para valorizar o que têm em comum e evitar que os moradores das regiões vizinhas atravessem a divisa com o DF diariamente em busca de melhores oportunidades de emprego, saúde e educação, foi criada a Região de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride/DF). O objetivo é que as ações para o desenvolvimento econômico da região, com 55.435 km•, sejam pensadas em conjunto a fim de que surjam propostas beneficiadoras à população do conglomerado, que, segundo os primeiros dados do Censo do IBGE 2010, ultrapassa 3,5 mil habitantes. As propostas da Ride abarcam infraestrutura, criação de empregos e capacitação profissional, saneamento básico, ocupação do solo, transportes, proteção ao meio ambiente, saúde, educação, cultura, produção agropecuária, habitação, telecomunicação, turismo, segurança e combate à pobreza.

Compõem a Ride o Distrito Federal e as cidades de Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina, Formosa, Luziânia, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso de Goiás e Vila Boa (em Goiás), mais Unaí, Buritis e Cabeceira Grande (em Minas Gerais).

Logística 

O Distrito Federal ocupa uma posição geográfica estratégica no coração do país. Com acesso rápido ao aeroporto, equidistante dos principais mercados e malha viária de qualidade, a região, aos poucos, torna-se um ponto de conexão para vários destinos e um dos principais pontos de distribuição de mercadorias.

O Porto Seco do DF e o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek são prova da boa performance em logística do DF.

O primeiro, localizado na região administrativa de Santa Maria, facilitou as transações de importação e exportação para as empresas e as indústrias que fazem negócios com o mercado nacional e internacional.

Com uma estrutura de armazenagem e movimentação de medicamentos, matérias-primas e insumos destinados à indústria farmacêutica (que inclui um complexo de armazenagem refrigerado, com tecnologia de última geração para produtos higroscópicosetermossensíveis), oPorto Seco, administrado pela Lagoserve (Logística, ServiçoseArmazenamento Ltda.), contribuiu para a economianas operações logísticas, especialmente do setor farmacêutico.

O Aeroporto Internacional de Brasília, inaugurado em 1971, é o terceiro em movimentação de aeronaves e passageiros e o quarto em movimentação de cargas no Brasil. Devido à intensa movimentação de aeronaves, em 2005 foi entregue a segunda pista, que ampliou a capacidade operacional para 555 mil pousos e decolagens por ano. Em média, 38 mil passageiros embarcam e desembarcam nos 424 voos diários.