Saúde

Governo promete investimentos para rede pública voltar a ser referência 

O presidente-médico Juscelino Kubitschek tinha a saúde como uma das prioridades do governo. Ele queria que o sistema público do DF fosse modelo para o país. Concebido na forma de pirâmide, os postos de saúde, cuja responsabilidade consistia na prevenção e na triagem dos pacientes, estavam na base do sistema. Os hospitais regionais ocupavam o meio da pirâmide, e no topo ficava o Hospital de Base.

A estrutura funcionou enquanto o número de pacientes foi pequeno e havia investimentos no setor. Com poucos recursos e atendendo cada vez mais pacientes, inclusive de outros estados, a saúde no DF enfrenta, atualmente, problemas como a falta de médicos e os hospitais superlotados.

Há no DF 1.756 estabelecimentos de saúde, sendo 148 públicos e 1.608 particulares, de acordo com dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Na rede pública, 11 são de competência do governo federal e 137 estão sob responsabilidade do Governo do Distrito Federal (GDF).

Para fazer com que Brasília volte a ser referência na área de saúde, as administrações do governo federal e distrital (2010-2014) prometeram a construção de 14 unidades de pronto atendimento (UPA) e vários programas de saúde, como o de atenção à saúde da mulher, de incentivo à doação de órgãos e ainda um programa específico de pré-natal e pediatria.

O Ministério da Saúde assumiu a responsabilidade de articular com os governos do DF, de Goiás e de Minas Gerais para que não existam gargalhos e falhas no atendimento à saúde da população do Entorno. A ideia de transformar Brasília em um centro de alta complexidade médica impõe a necessidade de não sobrecarregar o sistema público na capital.

Mesmo com muitos desafios, ainda existem centros de referência como o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), no tratamento de queimados; o Hospital Regional da Asa Sul (HRAS), em reprodução humana; e o Hospital de Base, no atendimento a acidentados.

A Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, com recursos exclusivamente do Orçamento da União, é referência nacional e internacional. Inaugurada nos anos 1980, a rede é constituída hoje por nove unidades hospitalares. Além de Brasília, está presente em Salvador (BA), São Luís (MA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Macapá (AP) e Belém (PA). Em cada cidade, os profissionais da rede reproduzem e aperfeiçoam os princípios, os conceitos e as técnicas consolidadas ao longo do tempo pela unidade de Brasília, símbolo do atendimento humanizado.

Na capital do país, a Rede Sarah possui dois centros hospitalares. No Plano Piloto, a capacidade é de 252 leitos, com média diária de mais de 2 mil atendimentos. Por ano, são realizados mais de 7 mil procedimentos de assistência médica e reabilitação. Além de hospital, a unidade de Brasília também acumula funções de centro de administração e de gestão hospitalar, centro de ensino e pesquisas, centro de pesquisas em educação e prevenção, centro de controle de qualidade e centro de formação de recursos humanos. Funciona também na capital da Federação o curso de mestrado em Ciências da Reabilitação.

Na unidade do Lago Norte, a capacidade é de 49 leitos, com média diária de 327 atendimentos. Inaugurado em 2003, o Centro Internacional de Neurociências e Reabilitação é hoje a principal ponte de intercâmbio de estudos e pesquisas com grandes centros de investigação nas áreas de ciência e saúde. No Sarah Lago Norte, como é conhecido, estão em curso diversos estudos e pesquisas, com intercâmbios internacionais, na ampliação dos conhecimentos nas áreas de estudos do cérebro.

Hospitais do DF atendem pacientes de diversas cidades do Entorno e de municípios de Goiás e Minas Gerais – Foto: Kazuo Okubo