Segurança

Crescimento populacional preocupa as autoridades 

A expansão populacional desordenada do Distrito Federal é uma das principais justificativas das autoridades públicas e dos especialistas ao explicarem o aumento no número da violência nos últimos 10 anos. À medida que a densidade demográfica cresce acima da média nacional, também aumentam os casos de criminalidade.

Na primeira década dos anos 2000, houve aumento no número de homicídios, sequestros-relâmpago e quatro tipos de roubo, mas uma redução drástica nos assaltos a bancos e casas lotéricas. Ainda de acordo com especialistas, equívocos das gestões anteriores da Secretaria de Segurança em políticas públicas e aumento no número de usuários de crack são fatores que contribuem para o aumento dos crimes.

Para enfrentar o crack, a Secretaria de Segurança Pública do DF criou um núcleo específico para coordenar as ações no combate à droga em todas as frentes. O novo órgão vai contar com o apoio de outras secretarias no tratamento, por meio de ações sociais e de saúde pública, aos usuários.

De acordo com dados do Mapa da Violência 2011, estudo do Ministério da Justiça e do Instituto Sangari, divulgado em fevereiro de 2011, Brasília ocupa o 18º lugar no ranking de violência das 27 capitais do Brasil. A cidade registrou uma taxa de 34,1 homicídios por 100 mil habitantes.

O número mais preocupante é a taxa de homicídio entre os jovens. Em 1998, a capital federal ocupava a 14ª posição no ranking de todos os estados brasileiros. Dez anos depois, o DF ocupa a 4ª posição, à frente de estados que sempre apresentaram um alto índice de violência urbana, como Rio de Janeiro e São Paulo. A taxa de homicídios na faixa etária de 15 a 24 anos é de 77,2 para cada 100 mil jovens. Os números são inferiores apenas aos de Alagoas, do Espírito Santo e de Pernambuco, que registraram mais de 100 casos por 100 mil vítimas.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF, o número de homicídios na unidade da Federação registrou estabilidade até 2007 (567 ocorrências no ano). Cresceu em 2008, e em 2009 alcançou 756 registros, média de 63 por mês. As tentativas de homicídio cresceram 50% nos últimos 10 anos. Em 2000, foram 742 registros de vítimas feridas em tiroteios, rixas, desavenças e discussões. Nos primeiros meses de 2010, houve, em média, 79 ocorrências por mês.

Um dos tipos de crime que mais aumentaram na capital federal ao longo da primeira década do ano 2000 foi o sequestro relâmpago, de 75 para 656 entre 2000 e 2009, um crescimento de 774,6%. A média de ocorrências no primeiro semestre de 2010 foi de 268 casos. É como se ocorresse, em média, 1,4 sequestro-relâmpago por dia.

Quanto aos roubos, quatro tipos foram os mais comuns. O roubo em comércio cresceu 35,1% nos últimos 10 anos. Foram 1.757 ocorrências em 2000 e 2.375 em 2009, principalmente em locais com concentração de patrimônio, como Plano Piloto e Taguatinga. Nos primeiros seis meses de 2010, houve 1.034 casos na capital do país, média de quase seis assaltos por dia.

Roubo em coletivo e roubo de veículo estavam estáveis até 2008, quando cresceram significativamente. Do primeiro tipo, foram 1.599 delitos em 2009, principalmente nos ônibus de Ceilândia, Samambaia e Santa Maria. Os roubos a veículos próprios subiram de 1.574 em 2007 para 2.957 em 2009.

Assaltos à mão armada, principalmente nas ruas da capital do país, cresceram 71,8%. Em 2000, os registros foram de 13.221 casos. Dez anos depois, subiram para 22.714. Foram 87 tentativas de latrocínio (homicídio com o objetivo de roubo, ou roubo a que se segue a morte ou lesões corporais, de natureza grave, da vítima) em 2000 e 195 em 2010, um aumento de 124%.

Combate especializado e investimentos em equipamentos 

Alguns dos crimes em baixa no período revelam o combate especializado realizado pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, além do investimento em equipamentos de segurança.

Depois de um período em ascensão, as lesões corporais provocadas por brigas e discussões tiveram queda no DF nos últimos anos. O número de ocorrências desse tipo foi de 11.544 (em 2007) e 11.053 (em 2008). Nos primeiros anos de 2000, esse crime acontecia com mais frequência. Em 2005, atingiu o recorde de 13.715 casos.

Os latrocínios caíram de 83 casos em 2000 para 52 ocorrências em 2009. Também tiveram queda, ao contrário da realidade de boa parte do país, os roubos a bancos. Em 2007 e 2008 não houve registro desse tipo de crime. Parte da explicação deve-se aos investimentos dos próprios bancos em segurança privada. Em 2009, houve sete casos.

Permaneceram estáveis os roubos a postos de combustíveis. Entre 2000 e 2007, houve uma queda de 31%. Nos anos seguintes, os assaltos tornaram-se estáveis, média de pouco mais de dois por dia.

Também ficou praticamente inalterado o número de furtos em veículo. Em 2000, foram registradas 10.764 ocorrências de arrombamentos realizados por assaltantes interessados em aparelhos de som, roupas e outros objetos de valor deixados por motoristas e passageiros. Houve recorde em 2003, de 16.269 casos, mas em 2009 o número foi de 10.636.

Polícia militar do DF é uma das mais bem equipadas do país e com melhores salários – Foto: Kazuo Okubo

Segurança privada tem crescimento significativo 

A preocupação com a violência, comum entre moradores de grandes cidades, movimenta um mercado milionário no Distrito Federal. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica (Abese), divulgados em 2011, mostram que a cada cinco habitantes do DF já há uma câmera de vigilância, por exemplo.

A procura por segurança privada tem crescido significativamente. O mapa da violência 2012 mostra que a taxa de homicídios do DF entre 2000 e 2010 não sofreu forte variação, passando de 37,5 para 34,2 homicídios por 100 mil habitantes. Ainda que o avanço da criminalidade assuste a população e provoque o estado a agir de maneira mais enérgica, moradores avaliam que viver em Brasília ainda é mais seguro do que em muitos outros centros urbanos do país.

Uma sensação de tranquilidade maior, porém, não exime o brasiliense de buscar alternativas para melhorar a própria segurança. De acordo com o Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança do DF (Siese-DF), existem cerca de 16,6 mil imóveis em todo o DF monitorados por sistemas eletrônicos de alarmes e há mais de mil empresas atuantes nesse mercado.

Ainda segundo a entidade, estão registradas pelo menos 500 mil câmeras, o que representa uma para cada cinco habitantes, considerando-se a população de 2,6 milhões.

A Secretaria de Segurança Pública do DF recorreu à ajuda da tecnologia para monitorar a violência na capital, o que também impulsionou o mercado privado. Cerca de quarenta câmeras de vigilância estão em fase experimental em pontos estratégicos do Plano Piloto, como a rodoviária, os setores hoteleiros norte e sul e os setores de diversões norte e sul.

Nos últimos quatro anos, o mercado de segurança cresceu em torno de 7%, criando cerca de 3 mil empregos diretos na região. Entre 2000 e 2010, a área de sistemas eletrônicos de segurança cresceu no país com taxas médias de 13% anualmente. Dois anos atrás, o setor movimentou cerca de US$ 1,680 bilhão, aumento de 12% em comparação a 2009.

A fim de combater a violência entre jovens, o Governo do Distrito Federal (GDF) desenvolve, desde 1999, o programa Esporte à Meia-Noite. A ação incentiva a prática de esportes e o lazer nas cidades e nos horários com maiores índices de violência. Mais de 300 mil pessoas já foram atendidas nos oito polos localizados em Areal, Samambaia, Gama, Ceilândia, Planaltina, Santa Maria, São Sebastião e Estrutural. Os núcleos, que contam com a orientação de professores e policiais, propiciam maior integração dos jovens com suas famílias por meio de informação e participação dos pais e dos responsáveis nas atividades do projeto.