Trabalho

Oferta de emprego é a maior em 20 anos 

O índice de desemprego no Distrito Federal no final de 2011 foi de 12,4% segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O percentual é o menor registrado há 20 anos, desde que a pesquisa começou a ser realizada.

Só no primeiro mês do ano foram criados 2 mil novos postos de trabalho. O número de desempregados passou a ser estimado em 174 mil, uma redução de 5 mil pessoas. Os resultados de janeiro acompanham o desempenho histórico alcançado pelo mercado de trabalho no DF no ano anterior.

Em 2010, a taxa de desemprego diminuiu pelo sétimo ano consecutivo. O índice passou de 15,8% em 2009 para 13,6%. O nível ocupacional no DF teve uma expansão em 2010 de 4,2%. A taxa equivale a um total de 49 mil pessoas empregadas.

A expansão dos postos de trabalho em 2010 refletiu o crescimento de todos os setores econômicos. Serviços (33 mil novos postos, ou 4,3%) e comércio (7 mil, ou 3,8%) são os que mais abriram vagas. A construção civil teve um crescimento expressivo de 8 mil vagas (13,6%). A administração pública, por sua vez, criou mais 7 mil vagas (3,6%).

Houve um crescimento de 7,4% de trabalhadores assalariados no DF decorrente do aumento do emprego nos setores privado (9,0%) e público (4,2%). Os empregos com carteira assinada expandiram-se de forma mais acentuada (10,4%) do que os sem carteira (3,1%). Entre 2009 e 2010, diminuiu o número de trabalhadores autônomos (-5,7%) e de empregados domésticos (-4,0%) e aumentou o percentual de empregadores (8,5%).

Qualificação 

Mesmo com a menor taxa de desemprego dos últimos 20 anos, sobram vagas de emprego no Distrito Federal. A dificuldade das empresas é encontrar pessoas preparadas para assumir as funções. Construção civil, segmento de tecnologia da informação, comércio varejista e serviços são os setores que mais necessitam de pessoas. Segundo projeções do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), em 2010 quase 7 mil postos de trabalho ficaram desocupados no DF porque as empresas não conseguiram contratar pessoas qualificadas.

A situação local não difere da realidade brasileira. A falta de mão de obra com formação adequada é um entrave para a continuação do crescimento acelerado que o país atravessa (em 2010, o crescimento do Produto Interno Bruto foi de 7,5% em relação ao ano anterior).

Em Brasília, porém, outra característica ainda deixa o quadro mais grave. A iniciativa privada perde bons profissionais para a administração pública, mais atraente pela estabilidade e pelos altos salários, o que faz ser ainda mais complicado preencher as vagas abertas.

Empresas investem na formação dos profissionais para resolver o problema. A Federação das Indústrias do DF (Fibra) formou 12 mil pessoas no ano de 2010 com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). O Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF) treina cerca de 500 pessoas por mês para atuarem no setor.

Desafios 

Equilibrar as elevadas disparidades das taxas de desemprego das regiões administrativas em relação a Brasília é um dos principais desafios para os próximos anos. Enquanto na RA I (Brasília) a taxa de desemprego diminuiu de 11,4% (em 2003) para 8,3% (em 2009), no resto do Distrito Federal ela permanece quase o dobro, apesar do recuo: foi de 22,8% (2003) para 15,8% (2009). Da mesma forma, há uma desigualdade entre os rendimentos dos trabalhadores de Brasília quando comparados com os de outras regiões administrativas. Segundo o Dieese, os trabalhadores do DF tiveram rendimento mensal médio de R$ 1.856 (2009), enquanto os ocupados em Brasília ganharam, em média, no mesmo período, R$ 5.061. A desigualdade nos salários é grande: em 2010, os 10% mais pobres ganharam, no máximo, R$ 514, o que representa um crescimento de 13,5% em relação a 2009. Os 10% mais ricos, por sua vez, obtiveram rendimentos superiores a R$ 5.051 (aumento de 3,4% em relação ao ano anterior).

O terceiro aspecto que merece atenção é o alto número de trabalhadores do DF que ainda precisam mover-se para Brasília por conta de atividades profissionais. Cerca de 381 mil pessoas precisaram se deslocar em 2009 para trabalhar em Brasília. A dependência dos trabalhadores das 30 regiões administrativas do mercado de Brasília traz consigo problemas como sobrecarga no sistema público de transporte, complicações no trânsito devido ao aumento dos meios de transporte particulares, custos adicionais para trabalhadores e empresas, cansaço e estresse provocados pela redução do tempo de lazer.

Características 

O mercado de trabalho do Distrito Federal é marcado pela importância do funcionalismo e pela desigualdade de rendimentos na visão dos economistas do Dieese.

Do início da década de 1990 até o fim de 2009, houve ampliação da administração pública e dos serviços como os principais setores em termos de ocupação da força de trabalho. Juntos, os dois setores respondiam em 2009 por, aproximadamente, 92% dos ocupados na capital federal (em 1997, o índice era de 84,7%). Na prestação de serviços, destaque para os subsetores educação, serviços especializados, ramo creditício e saúde.

Ao longo dos anos, as taxas de desemprego mantiveram-se relativamente baixas, embora oscilantes (variando de 11 mil pessoas em 1992 para 8 mil em 2009). As relações de trabalho assalariadas ampliaram a participação em detrimento das ocupações não assalariadas. Os serviços domésticos reduziram a participação para 5,8% em 2009 (o índice era de 17,3% em 1992) no número total de postos de trabalho em Brasília. Os trabalhadores por conta própria, que representavam 6,3% dos ocupados, no início da década de 1990, não atingiram representatividade estatística em 2009.

Para os economistas, a diminuição das ocupações não assalariadas na capital federal pode estar relacionada ao fato de serem justamente essas as formas de inserção no mercado de trabalho mais frágeis. Os trabalhadores não assalariados geralmente ganham menos e não possuem proteções trabalhistas. O aumento dos diaristas e a diminuição dos mensalistas que dormem nos domicílios onde trabalham explicam o decréscimo no número dos trabalhadores domésticos.

Trabalhadores das regiões administrativas ainda dependem do mercado de trabalho da capital – Foto: Kazuo Okubo