Hospedagem

A Copa de 2014 será o desafio 

O setor de hospedagem tem apresentado um desempenho animador nos últimos anos, mas ainda há muito que fazer para atender os turistas, principalmente durante a realização dos eventos esportivos dos próximos anos.

Segundo dados da Pesquisa de Serviços de Hospedagem (PSH) 2011, divulgada no início de 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as 27 capitais brasileiras têm capacidade para hospedar 554,227 mil turistas. Ao todo, a rede de hospedagem nesses locais é formada por 5.036 estabelecimentos, que oferecem 250.284 unidades habitacionais, como suítes, apartamentos, quartos e chalés, e 373.673 leitos, entre simples e duplos. Com isso, a capacidade média nas capitais chega a 110 hóspedes por estabelecimento.

O estudo foi realizado em parceria com o Ministério do Turismo e mapeou o setor para auxiliar no planejamento do país para receber a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

De acordo com o levantamento, a maior parte dos estabelecimentos que compõem a rede de hospedagem nas capitais brasileiras é formada por hotéis (52,1%), que têm em média 50 unidades e 74 leitos por estabelecimento. São Paulo lidera o ranking, com capacidade de hospedagem para 114.212 turistas; o Rio de Janeiro aparece na segunda colocação, com 67.536 vagas de hospedagem; em seguida vem Salvador, com 34.424.

O segundo tipo de estabelecimento mais comum no país são os motéis (1.184), com 23,5%, seguidos pelas pousadas (714), com 14,2%. Têm menor expressividade apart-hotéis e flats, com 4,2%; pensões de hospedagem (inclusive estabelecimentos do tipo cama e café ou pousadas domiciliares), com 3,1%; e albergues turísticos, com 1,9%.

No grupo outros, campings, dormitórios e hospedarias totalizam 1%.

A pesquisa também mostrou que o setor de hotelaria ainda precisa de muitos investimentos e tem muito para crescer no país. Cerca de 85,5% dos estabelecimentos de hospedagem nas capitais brasileiras estão classificados em patamares de médio e baixo grau de conforto e qualidade de serviços. Entre eles, 24,7% são considerados de médio conforto, 37,6% são econômicos, 23,2%, simples. Na categoria luxo, 3,5% dos estabelecimentos. A categoria superior ou muito confortável responde por 11%.

Outro ponto importante que precisa ser mudado na hotelaria brasileira: a forte concentração na distribuição desses estabelecimentos, principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Salvador e em Belo Horizonte. Juntos, esses municípios respondem por 40,7% do total nas capitais.

Brasília em destaque 

Entre as 27 capitais brasileiras, a cidade de Brasília tem a maior proporção de hotéis do país em relação à rede de estabelecimentos de hospedagem, segundo a pesquisa do IBGE. Do total dos 222 estabelecimentos em funcionamento na capital do Brasil, 67%, ou 149 unidades, são hotéis, seguidos por motéis, com 20,7%, e pousadas, com 9%.

Depois de Brasília, a cidade com a maior proporção de hotéis do país, com 62,4%, é Curitiba, onde há 151 hotéis para uma rede de hospedagem de 242 estabelecimentos. Apesar da alta proporção de hotéis, Brasília e Curitiba possuem, em números absolutos, menos estabelecimentos desse tipo que cidades maiores, como São Paulo e Rio de Janeiro.

O número de estabelecimentos de hospedagem em Brasília corresponde a 4,4% das unidades do país, destes, apenas 12,27% são considerados de “luxo” ou com “qualidade superior”. O restante é enquadrado nas categorias de “qualidade média”, “econômica” e “simples”.

No quesito número de leitos por estabelecimento, Brasília aparece em terceiro lugar entre as capitais avaliadas, com 87, atrás do Rio de Janeiro (106) e de Natal (92). Brasília também desponta em terceiro na lista de capacidade média de hóspedes por estabelecimento, com 123 pessoas por unidade comercial. Novamente a capital do país fica atrás do Rio, com 157 hóspedes por estabelecimento, e de Natal, com capacidade de 140 pessoas.

Em 2011, representantes das redes hoteleiras internacionais Pestana e Hilton mostraram interesse na capital federal devido ao seu potencial para a prática de turismo de negócios, além dos eventos esportivos previstos, como a Copa do Mundo de 2014. A rede hoteleira Accor também demonstrou interesse em ampliar seus negócios em Brasília.

Com a liberação do projeto de expansão do Setor Hoteleiro Norte, na Quadra 901, a capital terá seu número de leitos aumentado, atendendo a exigência da Fifa para a Copa. Os grandes hotéis de Brasília concentram-se na região central da cidade, possibilitando aos turistas caminharem até o estádio em dias de jogos e acesso a museus e shoppings.

Empregos

A geração de empregos é uma das formas mais efetivas de o turismo promover o crescimento e o desenvolvimento econômico de determinada região. Os dados foram coletados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego entre 1994 e 2006.

Com poucas variações ao longo dos anos pesquisados, o setor hoteleiro manteve em 2006 os mesmos 3,8 mil empregos que possuía em 1994. Em outros tipos de alojamento, porém, o número de pessoas trabalhando aumentou 115%, passando de 70 (1994) para 157 empregos (2006).

O número de hotéis foi de 217 (1994) para 260 (2006), crescimento de quase 20% no período. Outros tipos de alojamento tiveram um aumento maior: de 6 unidades em 1994 para 54 em 2006, salto de 800%. Juntando as atividades, o avanço do setor hoteleiro foi de 40,8% no período.

Quando se compara o crescimento do número de estabelecimentos do setor hoteleiro com a criação de postos de trabalho, observa-se que estes não cresceram na mesma medida. Enquanto os empregos diretos passaram de 3.880 para 4.025 entre 1994 e 2006 (aumento de 12%), o número de hotéis e outros alojamentos passou de 223 para 314 (crescimento de 40,8%). Segundo o estudo do CET, a explicação para a queda na média de funcionários por estabelecimento hoteleiro de 26, em 1995, para 13, em 2006, está na revisão de estratégias administrativas pelas empresas, além da adoção de novas tecnologias e da terceirização de atividades.

Turismo terá novo conceito de hospedagem no sistema de classificação 

Em junho de 2011, foi publicada no Diário Oficial da União a portaria que regulamenta o novo Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass). O novo sistema regula os critérios para o uso da simbologia das “estrelas” por hotéis urbanos, resorts, pousadas, hotéis históricos, cama & café, hotéis-fazenda e apart-hotel/flats de todo o país. A adesão ao sistema é voluntária. Os meios de hospedagem precisam efetuar o Cadastro dos Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo (MTur).

Para solicitar a classificação, que terá validade de 36 meses, os meios de hospedagem devem preencher formulários disponíveis no cadastur.com.br. Depois da análise e da aprovação da documentação, é realizada uma inspeção para avaliar a conformidade com os requisitos previstos nas matrizes de classificação. As auditorias serão realizadas por técnicos do Inmetro.

Os meios de hospedagem foram divididos em sete categorias, que podem receber de uma a cinco estrelas, conforme as novas regras:

A nova classificação, de acordo com o Ministério do Turismo, é uma referência para orientar as escolhas do consumidor e preparar o Brasil para receber os turistas na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.