Índices

Centros auxiliam turistas e gestores 

Atualmente a Secretaria de Turismo do Distrito Federal publica um boletim bimestral com dados coletados nos atendimentos realizados nos Centros de Atendimento ao Turista (CAT). Essas informações tem sido importante para o planejamento dos investimentos no segmento.

Ariádne Bittencourt 

Subsecretária do Turismo do Distrito Federal

O turismo apresenta um crescimento mundial, com previsão entre 3% e 4% ao ano, como o Distrito Federal se posiciona neste cenário?

Se o Brasil entra na pauta de interesse para o mundo, é característico analisar quais são os destinos domésticos dentro do país que também estão na mesma pauta. Nesta linha, Brasília busca seu espaço desde o momento em que os grandes eventos foram anunciados como prioridade para este destino. A atenção do mundo também se volta para os locais com muito tempo de antecedência. Brasília entra no circuito dos grandes eventos internacionais, os esportivos e os com característica técnico-científica, isso nos coloca em um cenário diferenciado e competitivo.

Anuário do DF: Como o DF está se preparando para a Copa do Mundo?

Ariádne Bittencourt: Brasília já está muito voltada para o desenvolvimento do turismo, os Jogos, a Copa, as Olimpíadas e outros grandes eventos internacionais simplesmente definem data para que as coisas avancem e atendam a um cronograma. Brasília se prepara para atender ao desenvolvimento do turismo como prioridade, os eventos são mais uma atenção que devemos ter para cumprir prazos dentro de uma série de ações que já estão priorizadas dentro desta secretaria.

No planejamento estratégico, nossa prioridade, obviamente com a prerrogativa dos cronogramas dos grandes eventos, já está pautada e envolve quatros itens fundamentais: infraestrutura, qualificação, promoção e gestão.

Anuário do DF: Quais os principais desafios do setor de turismo no Distrito Federal?

Ariádne Bittencourt: Uma das nossas prioridades dentro da gestão do secretário Luís Otávio, com todas as ações respaldadas pelo governo, é ter condições de entender como o fenômeno do turismo acontece no Distrito Federal, ter dados para avançar e para monitorar como o setor está hoje e como vai estar em curto, médio e longo prazos. Para isso, desde o ano passado está em desenvolvimento o Observatório do Turismo como uma prioridade.

A outra atenção é trabalhar uma política do turismo. Brasília nunca teve e antes estava pautada dentro da lei orgânica. Finalizamos este ano a política do turismo, validada dentro do Conselho de Turismo, e já encaminhamos para a Câmara Legislativa. Essa política traça caminhos para que, independentemente do momento de gestão que este destino tenha daqui pra frente, ele possa se pautar num alinhamento para o desenvolvimento do turismo.

Outra prioridade no contexto de políticas de turismo é trabalhar a legislação do transporte turístico. Hoje temos dificuldade para o desenvolvimento devido a algumas limitações dentro da legislação do transporte turístico. Já existe um grupo de trabalho legitimado, que é coordenado pela Secretaria do Transporte com a participação da Secretaria do Turismo e outros órgãos afins, que se dedica para que tenhamos ainda este ano uma legislação que possa ajudar a desenvolver o turismo.

Anuário do DF: Quais os investimentos em qualificação aplicados pela Secretaria do Turismo do DF?

Ariádne Bittencourt: Na parte de qualificação, fizemos primeiro um levantamento de qual foi o investimento realizado pelos órgãos federais, em especial o Ministério do Turismo. Verificamos quais os segmentos contemplados nessa qualificação e focamos nossa atenção nos segmentos ainda não priorizados. No ano passado, nossa atenção foi para a área de segurança pública, com o GPTur (Grupamento Especializado de Policiamento Turístico), que é o pelotão de apoio ao turismo de Brasília. Fizemos todo o processo de capacitação, e neste ano estamos na segunda turma. O curso possui adesão voluntária, com carga horária acima de 120 horas e atividades que vinculam o conhecimento do turismo a uma formação no contexto da hospitalidade. É uma ação totalmente diferenciada dentro do destino.

Outra pauta de prioridade dentro da qualificação foi em relação à formação dos guias de turismo, primeiro com foco no CAT. Temos hoje sete Centros de Atendimento ao Turista distribuídos nos pontos estratégicos da cidade. Fizemos a qualificação de trinta guias no ano passado, com carga horária de 280 horas. Foi uma qualificação extensa em termos de formação, com temas envolvendo os procedimentos vinculados ao processo de organização do destino e atendimento do visitante. Um dos nossos requisitos ao selecionar esses profissionais foi o idioma: na totalidade, hoje temos uma equipe de 45 guias que falam sete idiomas diferenciados, além do padrão inglês e espanhol.

Anuário do DF: Quais as ações desenvolvidas para consolidar Brasília como um destino turístico?

Ariádne Bittencourt: Temos uma atenção muito grande em relação ao aspecto de promoção. Desde o ano passado temos como prioridade lançar uma campanha promocional para a comunidade. Nós entendemos que quem mora no Distrito Federal conhece pouco Brasília, mas também quem mora dentro de Brasília desconhece a sua totalidade. Então, essa campanha é para estimular no morador o pensamento de que ele está numa cidade que é a capital federal, que é patrimônio cultural da humanidade e que também é um destino turístico.

Em âmbito nacional, participamos de vários eventos do setor e lançamos campanha para divulgar Brasília como um destino turístico. Fizemos isso em São Paulo, no Rio de Janeiro e também no sul do país, em Curitiba. Também fizemos várias articulações com campanhas no mercado internacional, com foco na América do Sul, em especial Argentina e Chile. Participamos também de uma feira no mercado europeu, em Portugal, onde nosso intento era divulgar Brasília como patrimônio dahumanidadeetrabalharossegmentos da arquitetura. Seja no mercado interno local – o morador –, seja nas unidades federativas ou no mercado internacional – América Latina ou Europa –, nosso intuito étrabalharcampanhaspromocionaisque motivem o visitante a vir para ao Brasil e obviamente a Brasília. Tudo isso foi feito no ano passado e se replica este ano. Para o mercado internacional temos nove feiras, para o mercado doméstico temos a participação de mais seis feiras.

Anuário do DF: Quais os investimentos realizados pela Secretaria de Turismo em relação à infraestrutura do DF?

Ariádne Bittencourt: A questão da infraestrutura é uma prioridade da Secretaria de Turismo, dentro do que é de competência do órgão. Os investimentos prioritários desta secretaria são fazer a complementação da obra do Centro de Convenções, que é o equipamento mais importante da cidade para realização de grandes eventos e, mas ainda falta sua conclusão no que diz respeito a uma área de alimentação e um espaço para estacionamento.

Outra obra dentro do processo de infraestrutura é a Torre de TV, que pela primeira vez vai passar por uma manutenção integral. Ela sempre passou por reparos, mas agora terá de fato uma reforma completa.

Outra pauta importante que já está em projeto consolidado junto ao Ministério do Turismo é a implementação da sinalização turística em Brasília. Existe uma sinalização, mas ela esta deficitária e precisa de adequações em áreas que foram alteradas historicamente. A responsabilidade da placa em si é da Secretaria do Transporte, e a questão do turismo é da Secretaria do Turismo, que fica com a gestão deste projeto, realizado de forma conjunta.

Anuário do DF: Quais os setores do turismo que tendem a crescer mais no DF? Destes, quais os mais importantes do ponto de vista das políticas públicas para o GDF?

Ariádne Bittencourt: O segmento de eventos é prioridade na secretaria pela própria característica de Brasília, pelos equipamentos que temos e porque o segmento de eventos representa 49% dos visitantes que chegam a Brasília. O segmento de turismo de negócios, que está inserido no turismo de eventos, também é muito importante para a cidade pelo que ele representa atualmente – a média da capacidade de gasto do turismo de negócios é de US$ 102 por dia, e o visitante de lazer gasta em torno de US$ 75. Além disso, um evento técnico ou comercial impacta de forma significativa na cadeia produtiva, estimulando o desenvolvimento da empregabilidade e da condição de gasto no destino, e isso favorece o desenvolvimento.

Temos mais duas prioridades dentro dos segmentos do turismo: uma é o segmento arquitetônico, pois 2012 é o ano de valorização do patrimônio cultural da humanidade, e Brasília já tem uma atenção especial em relação à sua arquitetura. Queremos estimular este segmento, principalmente no mercado europeu, no qual já existe atenção em relação à questão patrimonial.

Outro segmento é o turismo cívico, uma vez que o processo de organização política do país acontece aqui. Esse segmento é focado no entendimento de como é a construção de cidadania, da democracia, da forma de organização e da participação social.

Anuário do DF: O turismo movimenta uma cadeia de atividades responsável por empregar muitas pessoas e desenvolver a economia local.

Ariádne Bittencourt: Como o Distrito Federal tem evoluído neste sentido?

É importante pensar no impacto do turismo nas diversas áreas de ocupação. Mesmo tendo o conhecimento de que a ocupação do mercado formal ainda é menor que a do mercado informal, a formalização das atividades características do turismo em termos de ocupação cresceu significativamente nos últimos dez anos.

O mercado com maior representatividade das ocupações é o de transporte, o segundo é a área de alimentação e o terceiro é a hotelaria. Quando analisamos a movimentação nos últimos dez anos das ocupações, o mercado da hotelaria foi o que menos se expandiu, ele cresceu, mas não na mesma proporção que os outros segmentos aos quais o estamos comparando.

Anuário do DF: Diante disso, Brasília terá leitos suficientes para atender os visitantes durante a realização da Copa do Mundo?

Ariádne Bittencourt: Para a Copa, entendemos ser necessária uma ampliação dos meios de hospedagem, porque Brasília precisa ter capacidade de atender seus visitantes na sua condição plena. Precisamos que Brasília seja um destino bom para todas as classes sociais. Para isso, precisamos ampliar nosso processo de hospedagem, vinculando alternativas que vão além das condições tradicionais da hotelaria, como os campings institucionalizados, os albergues, os meios de hospedagem tradicionais – hotéis e flats –, tudo instalado de forma que atenda a perspectiva do desenvolvimento do turismo a médio e longo prazos.

Temos que entender que essa demanda já existe, hoje já temos uma necessidade que vai além da Copa, então, Brasília precisa pensar numa ampliação que extrapole a Região Administrativa 1 e chegue também às demais RAs.

Anuário do DF: Qual a relação entre o setor público e o setor privado para o fomento do turismo no DF?

Ariádne Bittencourt: O turismo só consegue se organizar se tiver nesta perspectiva os dois setores. Os equipamentos necessários para que o turista vivencie a experiência no destino têm graus de responsabilidade que vêm do setor público e do setor privado. Então, essa relação se dá com muita propriedade quando se fala em desenvolvimento do turismo. A aproximação no âmbito da gestão do turismo acontece por meio do Conselho do Desenvolvimento do Turismo. Hoje, oCondeTur tem uma representatividade de 60% composta pela iniciativa privada, tudo o que é estratégico, que é prioridade dentro desta secretaria é validado no âmbito do conselho. Quando eu falo qual é minha prioridade de gestão é porque isso já foi pauta dentro de um planejamento estratégico e validado dentro do conselho. A ação e o olhar da iniciativa privada estão validados nas ações da Secretaria do Turismo.