Turismo e Desenvolvimento

Projeções otimistas para o mercado do turismo brasileiro

O turismo é um fenômeno social e econômico e movimenta uma enorme cadeia produtiva de bens e serviços. O setor vem apresentando forte crescimento mundial. Em 2012, a previsão é de que as chegadas de turistas internacionais em todo o mundo deverão atingir a marca histórica de 1 bilhão. Segundo dados do último Barômetro OMT do Turismo Mundial, em 2011 o crescimento foi de 4% ante 2010, alcançando 980 milhões de chegadas internacionais contra 939 milhões do ano anterior. Com ritmo mais lento, o número deve aumentar entre 3% e 4% em 2012.

Uma projeção positiva para o Brasil é que em cinco anos o número de chegadas de turistas internacionais a países emergentes deve superar o registrado em países ricos. As Américas devem continuar como terceiro maior receptivo de turistas, atrás de Europa e da Ásia, devendo o maior crescimento ser verificado na América do Sul, onde o volume deve mais que dobrar: de 24 milhões para 56 milhões.

Um estudo sobre a do turismo internacional, divulgado pelo Ministério do Turismo, revelou que o futuro do setor no país também é muito otimista. Até 2022, a meta é que o Brasil se torne a terceira maior economia turística mundial.

O Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC) apresentou a estimativa de participação da indústria de viagens e turismo no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, incluindo os impactos econômicos indiretos. O resultado é animador: o percentual de contribuição da indústria turística brasileira no PIB nacional deve passar de 4,5% em 2011 para 9,5% até 2022. Além disso, até o fim da próxima década, cerca de 9% da população brasileira deve estar empregada em atividades características do setor.

A atividade turística responde por 10% dos gastos dos consumidores em todo o mundo, com uma arrecadação de US$ 350 milhões em impostos, segundo a WTTC. Esse montante deixa o turismo em segundo lugar em arrecadação de tributos mundiais, perdendo somente para a indústria alimentícia.

No Brasil, o turismo poderá chegar a 2014, ano de realização da Copa do Mundo no país, com a geração de 2 milhões de ocupações no setor, a entrada de R$ 8,9 bilhões em divisas internacionais e 73 milhões de desembarques domésticos, segundo projeções do Documento Referencial Turismo no Brasil 2011/2014, realizado pelo Ministério do Turismo (MTur), Embratur, pelo Conselho Nacional de Turismo e pelo Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur). O trabalho ainda contou com o apoio de consultores da Fundação Getulio Vargas (FGV) e utilizou indicadores do IBGE, do Banco Central, do Ministério do Trabalho e Emprego, da Infraero, entre outros.

O estudo indica a consolidação do turismo como produto de consumo do brasileiro. Prevê que os desembarques domésticos saltem dos 56 milhões registrados em 2009 para 73 milhões em 2014. Projeta também a geração de 2 milhões de empregos formais e informais de 2010 a 2014. A entrada de divisas internacionais deverá crescer 55% no mesmo período, subindo de R$ 6,3 bilhões para R$ 8,9 bilhões no ano de realização da Copa.

O Brasil destaca-se no turismo mundial. O crescimento do setor no país foi duas vezes maior que o do mundo. Os brasileiros estão viajando e gastando mais no exterior. Os turistas estrangeiros também aumentaram seus gastos no Brasil. O Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) comemora o recorde de US$ 6,7 bilhões no ano passado, acima da meta do governo, de US$ 6,4 bilhões.

O Boletim de Desempenho Econômico do Turismo, uma sondagem divulgada em setembro de 2011 e realizada pelo MTur em parceria com a FGV, também mostrou dados otimistas. As empresas de turismo apresentam aumento de faturamento há oito trimestres consecutivos, e 84% delas apostam na manutenção da tendência positiva.

Foram ouvidas cerca de quinhentas empresas, com faturamento trimestral de R$ 6 bilhões, de sete segmentos: agências de viagem, eventos, meios de hospedagem, operadoras, parques temáticos e atrações turísticas, transporte aéreo, além de turismo receptivo. A grande maioria projeta expansão do mercado, novos investimentos e a ampliação da oferta de vagas: a expectativa de contratação cresceu 31% de março a junho, na comparação com o mesmo trimestre de 2010.

Superando expectativas 

Pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Embratur e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelou que em cada três visitantes um afirma que o Brasil superou as expectativas.

No fim de 2011 foi divulgada a boa notícia do aumento do percentual de entrevistados que dão nota máxima ao Brasil. O número de estrangeiros que atribuíram ao turismo no Brasil o nível máximo de excelência cresceu 18,4%: passou de 26,6% em 2009 para 31,5% em 2010. Foram realizadas 39 mil entrevistas, durante dez meses em 15 aeroportos brasileiros e 12 fronteiras terrestres.

Cerca de 46% dos visitantes internacionais são sul-americanos, 31% são europeus e 15% da América do Norte. Os três continentes respondem, juntos, por 70% do receptivo internacional do Brasil. Apenas dois países – Argentina e Estados Unidos – são responsáveis por 40%.

Os europeus gastam, em média, US$ 1.614,00 – três vezes mais que os sul-americanos – em viagens ao Brasil. O tempo de permanência dos europeus também é 2,5 vezes maior que o tempo de estada dos sul-americanos – 24,3 dias contra 10,3 dias. Os norte-americanos gastam US$ 1.382,00 e ficam no país por, em média, 19,5 dias.

O gasto diário dos turistas de lazer é de US$ 70,53. Entre os viajantes de negócios e eventos o gasto sobe para US$ 119,38 ao dia. A permanência média em viagens de lazer é de 12 dias, enquanto no segmento de negócios o tempo de viagem é de 12,7 dias.

Perfil do turista brasileiro 

A pesquisa Hábitos de Consumo do Turismo do Brasileiro (2009) apontou que 64,9% dos brasileiros preferem viajar para praias, 13,5% para o campo, 12% para lugares históricos e 8,1% para montanhas. Quanto à próxima viagem ao país dos clientes potenciais, 68,2% desejam ir para praias, 12,8% para o campo, 10,9% para lugares históricos e 5,6% para montanhas. Outro dado interessante é que 11% dos clientes potenciais associam turismo com beleza natural e lugares bonitos.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi a pedido do Ministério do Turismo, grande parte dos visitantes de Brasília é atraída por eventos relacionados a negócios. Mas o turismo cívico vem ganhando força. Muitos turistas querem conhecer os monumentos e a arquitetura da cidade. Por sua vez, os brasilienses viajam, em média, duas vezes por ano para fazer turismo. Mais do que qualquer outro brasileiro, os moradores do Distrito Federal preferem viajar por períodos mais longos: 83,6% durante as férias, e não nos feriados ou nos fins de semana normais.

As férias são o período mais demandado pelos brasilienses: 83,6% viajam durante as férias do trabalho ou da escola, 45,9% nos feriados e recessos e 16,4% nos fins de semana normais. A maioria das pessoas (76,2%) dispensa a ajuda das agências de viagem. A pesquisa mostra que 70,7% dos entrevistados viajam com o cônjuge ou com outros parentes. A companhia de amigos é preferida por 14,3%, e 10,9% viajam sozinhas. Os grupos, como os de excursões, são a opção para 4,1%.

Sobre a última viagem ao Brasil, os principais motivos para a escolha do destino turístico foram: 33,9% – beleza natural; 21,2% – praias; 13,2% – cultura local; 1% – observação de fauna e flora. A beleza natural e a natureza têm um papel primordial nas viagens dos brasileiros pelo país. Mesmo sendo atraídos muitas vezes pelas praias, no destino turístico os visitantes acabam por realizar outras atividades, o que também representa uma importante estratégia de diversificação dos produtos ofertados e maior agregação de atratividade ao destino.

A pesquisa foi realizada em 11 capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Recife, Fortaleza, Brasília e Goiânia. Foram ouvidos 2.514 brasileiros com mais de 18 anos de idade das classes A, B, C e D.

Outro estudo realizado pela revista, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e o Ibope Inteligência, revelou o perfil do turista brasileiro tanto no Brasil como no exterior e contou com a participação de 6.115 leitores da revista de 17 estados e do Distrito Federal.

As informações levantadas permitiram compor um retrato aprofundado do turista brasileiro, inclusive com a segmentação por perfil demográfico e sociocultural, e também concluíram que a beleza é o ponto decisivo na hora de planejar uma viagem. A maioria dos turistas pertence às classes A (48%) e B (47%) e viaja três ou mais vezes por ano. Entre as classes C, D e E, a frequência é menor: uma vez ou menos por ano.

Este cenário vem apresentando mudanças com a ascensão de classe social. Segundo o estudo realizadopeloeconomistaMarceloNéri, daFundação Getulio Vargas (FGV), com base nos dados do IBGE, cerca de 31 milhões de brasileiros mudaram de classe social entre os anos 2003 e 2008.

Deixaram a classe E (que traça a linha da pobreza no país) 19,4 milhões de pessoas, uma queda acumulada de 43%. Em 2008, 16,02% da população nacional pertencia à classe E, o que corresponde a cerca de 29,9 milhões de brasileiros – se a miséria não tivesse diminuído, seriam quase 50 milhões de pessoas.

Em 2008, a classe D representava 24,35% dos brasileiros, e a classe C, dominante pelo porcentual populacional, recebeu 25,9 milhões de brasileiros no mesmo período, passando a constituir 49,22% da população. As classes AB (grupo com renda domiciliar mais elevada, superior a R$ 4.807,00) ganharam 6 milhões de pessoas, totalizando 19,4 milhões em 2008.

As melhorias sociais têm reflexo no desempenho da atividade turística. Com base na metodologia OMT e em dados do Ministério do Trabalho, o mercado formal nas atividades características do turismo no Brasil passou de 1,71 milhão de pessoas empregadas em 2002 para 2,27 milhões em 2006, representando um crescimento da ordem de 32,7% em seis anos. Em 2008, esse número correspondeu a 5,76% do total de empregos formais acumulados no país. O setor foi responsável por criar 457,41 mil ocupações formais e informais.

Turismo doméstico 

Nos últimos três anos, o turismo doméstico ganhou força e importância na economia brasileira. Para cada dez brasileiros que fazem viagens domésticas, apenas um viaja para o exterior. Entre os que viajam para outros países, 70% também fazem viagens nacionais. Cerca de 30% do custo total da viagem internacional fica no Brasil, beneficiando principalmente empresas brasileiras dos segmentos de transporte aéreo, operadoras e agências de viagem. Esses dados são do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depes) do Ministério do Turismo.

Outro indicador de crescimento é a expansão do mercado consumidor de turismo, que aumentou 16% no país. O número de brasileiros que viajam saltou de 43 milhões para 50 milhões de 2007 para 2010. A principal responsável pelo incremento foi a nova classe média. O número de viagens também cresceu: passou de 156 milhões em 2007 para 186,5 milhões em 2010.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para cada cem empregos criados na hotelaria outros 26 são criados na indústria, e a cada R$ 100 faturados pelo setor hoteleiro outros R$ 76 são injetados na indústria brasileira. Para o ministro do Turismo, Gastão Vieira, “a saudável competição de preços entre as empresas aéreas, a incorporação de consumidores à classe C, aliados ao crescimento da renda, crédito e emprego no Brasil, resultam em um crescimento efetivo das viagens turísticas, especialmente para dentro do Brasil”.

Segundo o diretor do Depes/MTur, José Francisco Salles Lopes, a expectativa para 2012 é que o turismo doméstico “tenha crescimento moderado, em razão da delicada conjuntura macroeconômica internacional”. Atualmente, o turismo doméstico responde por cerca de 85% do turismo brasileiro. Por sua vez, a participação do setor turístico no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de 3,6% (aproximadamente R$ 132 bilhões).

Cadeia de atividades 

Em viagem, o turista movimenta diretamente os setores de bens e serviços. O crescimento do turismo afeta diretamente segmentos como hotelaria, transporte, alimentação, cultura e lazer, aumentando a renda e o emprego no país. Além disso, a atividade turística relaciona-se com outras na economia como um todo no que diz respeito à compra de insumos e à venda de serviços.

Assim, o turismo é um sistema aberto, composto basicamente por cinco elementos: o turista, a região geradora, a rota de trânsito, a região de destino e a indústria turística. Mas, para analisar de que forma ele afeta a economia nacional, é preciso levar em conta os subsistemas que fazem parte do turismo: transportes, alojamentos, serviços de alimentação, centros de lazer e diversão, estabelecimentos comerciais relacionados, serviços complementares (agências de viagem, guias de turismo, empresas que alugam automóveis), entre outros.

Turista estrangeiro 

Os turistas estrangeiros gastaram de janeiro a novembro de 2011 US$ 6,1 bilhões, valor que supera os US$ 5,9 bilhões apurados em todo o ano de 2010. O resultado confirma a expectativa do Ministério do Turismo de fechar 2011 com a receita cambial turística na casa dos US$ 6,7 bilhões, o melhor resultado de todos os tempos.

Os números relativos a novembro de 2011 também são positivos. A entrada de divisas no mês foi de US$ 587 milhões, 4,9% superior ao mesmo período do ano anterior. Isso elevou o acumulado do ano, de US$ 6,1 bilhões, a um patamar 14,9% superior em relação a 2010.

A receita cambial, apurada pelo Banco Central, inclui trocos cambiais oficiais e gastos em cartões de crédito internacionais.