Turismo no DF

Turismo emprega e ajuda o PIB 

No Distrito Federal, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o setor empregou em 2009 72,2 mil pessoas em 5,8 mil estabelecimentos, com a participação do turismo no PIB de 1,39% em 2008. Quando são levadas em conta as atividades turísticas que atendem turistas e residentes, esse número sobe para 2,91%.

Há uma forte correlação entre o ambiente econômico e a atividade turística. Quando a economia cresce, aumenta-se a receita disponível, e parte dela é gasta com atividades relacionadas ao turismo. Foi o que aconteceu dentro da perspectiva nacional com as melhorias sociais dos últimos anos, incluindo a ascensão da classe C.

Os estudos do cenário turístico do DF foram publicados no livro, escrito por pesquisadores do Centro de Excelência em Turismo (CET) da Universidade de Brasília (UnB). Nele é mostrado que os setores de transporte coletivo aéreo e rodoviário são os grandes responsáveis pela entrada de turistas no DF e também são os que mais empregam no turismo. O setor aéreo apresentou um crescimento de 180,4% no período: saltou de 1,9 milhão de desembarques em 1997 para 5,3 milhões em 2005. No entanto, o desempenho do setor de transporte terrestre foi mais modesto: entre 1998 e 2005 o crescimento do número de embarques foi de 51%, enquanto o crescimento de desembarques alcançou 55,4%.

O setor hoteleiro do DF apresentou-se como uma das formas mais efetivas de o turismo promover o crescimento e o desenvolvimento econômico da região. Os dados foram coletados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego entre 1994 e 2006.

O número de empregos não apresentou grandes variações, mas o número de hotéis aumentou quase 20% de 1994 a 2006. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, em 2009 270 empresas do setor empregavam 4.561 pessoas.

Osespecialistasrelacionaramodesempenho do setor hoteleiro a outros aspectos econômicos e observaram que a atividade é muito sensível aos impostos e à taxa de juros. Para cada aumento de 1% na arrecadação real, o Imposto sobre Serviços (ISS) provoca uma queda de 1,24% no nível médio de emprego por estabelecimento no setor hoteleiro do DF. Segundo os estudiosos, o crescimento, em média, de 1,54% ao ano no período de 1994 a 2005 foi sentido em termos de redução de empregos por estabelecimento. Um aumento de 1% na taxa de juros provoca uma queda de 0,1% no desempenho do setor hoteleiro do DF em termos de emprego por estabelecimento.

Contudo, arendadoDFimpactapositivamente o setor. Os resultados indicam que um aumento de 1% no PIB real do DF provoca uma expansão de 0,66% no nível de emprego por estabelecimento.

Atividades turísticas no DF 

De acordo com estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com apoio do Ministério do Turismo, as atividades relacionadas ao turismo (alojamento, agência de viagem, transporte, aluguel de transporte, auxiliar de transporte, alimentação, cultura e lazer) empregaram no Distrito Federal, em 2006, 34.619 pessoas, sendo 53% dos postos destinados a trabalhadores formais. Números mais atuais do Ministério do Trabalho e Emprego registram 72.262 empregos criados em atividades turísticas em 2009.

O resultado mostra uma diferença do DF em relação às realidades brasileira e regional. O mercado informal no turismo ainda predomina no Centro-Oeste(53,6%) enoBrasil(58,9%). Das1.869.432 vagas de trabalho relacionadas ao turismo no país, 1.101.832 são de trabalhadores informais.

Assim como no restante do Brasil, o setor de transportes (13.770), seguido pelo de alimentação (10.785), é o campeão na geração de postos de trabalho no DF. É interessante notar uma diferença candanga: enquanto no país o setor de cultura e lazer ocupa o quinto lugar na lista dos setores relacionados ao turismo que mais empregam (atrás de transportes, alimentação, alojamentos e agências de viagem), no DF este setor é o terceiro maior gerador de empregos, com 4.675 vagas. Segundo os professores do CET, isso mostra que é preciso investir mais na cultura e no lazer para atrair os turistas por mais tempo na capital e no entorno. A formalização do setor seria o primeiro passo.

Os empregos diretos são criados no DF principalmente nos setores de alimentação, alojamento e atividades recreativas e culturais. Quanto aos empregos indiretos (abertos em outros setores a partir de um aumento de demanda do setor analisado), estes são encontrados principalmente nos setores de alimentação e alojamento, mas também nas agências de viagem. Os empregos induzidos (decorrentes dos aumentos de renda e de demanda provenientes dos empregos criados direta e indiretamente) são gerados nos setores de transporte ferroviário municipal de passageiros, de alojamento, de agências de viagem, de atividades recreativas e culturais e de transporte rodoviário municipal de passageiros.

Quando somados os totais de empregos diretos, indiretos e induzidos, os setores que mais empregam são alimentação, alojamento, atividades recreativas e culturais e o serviço de transporte rodoviário de passageiros.

Multiplicadores de produção 

Os pesquisadores do Centro de Excelência em Turismo (CET) da Universidade de Brasília (UnB) analisam as atividades relacionadas ao turismo como multiplicadoras de produção. Isso significa que é preciso considerar quais os setores que mais favorecem um encadeamento produtivo, ou seja, aqueles que com o aumento da própria produção favorecem outros setores. Todavia, se houver estrangulamento nesses setores eles impedem os vários aumentos de produção necessários para satisfazer o aumento da demanda. É preciso então estimular os setores mais articulados do ponto de vista produtivo e cuidar para que não fiquem impedidos de produzir por conta de estrangulamentos nas cadeias produtivas.

Nessa perspectiva, os professores do CET chegaram à conclusão de que o setor aéreo é o que possui, no DF, maior poder de multiplicação de empregos. Isso ocorre porque a renda gerada por cada emprego é elevada, dada a alta qualificação dos empregados do setor, o que aumenta muito os empregos indiretos e induzidos.

Os setores de alimentação e alojamento deveriam ser priorizados em relação a investimentos, incluindo políticas públicas, na avaliação dos pesquisadores. A explicação é simples: são esses os setores que mais criam empregos diretos, impulsionam a produção dos demais e, consequentemente, ampliam o crescimento econômico.

O setor de atividades recreativas e culturais também cria muitos empregos, principalmente diretos, e está entre os que mais geram renda, juntamente com os de atividades auxiliares de transporte rodoviário de passageiros, de aluguel de automóveis e de atividades auxiliares de transporte aéreo de passageiros.

Segundo os professores, para preparar a estrutura de desenvolvimento turístico do DF, alguns setores se destacam: alojamento e alimentação são estimuladores de aumentos de produção e geradores de empregos, em particular diretos; atividades recreativas e culturais se sobressaem como geradoras de empregos, principalmente diretos, e renda.

Os setores ferroviário e rodoviário municipal de passageiros são importantes porque geram impactos amplos de produção e empregos. Os especialistas defendem a necessidade de investimentos na produção e no crescimento dos setores, para beneficiar não só os turistas, mas também os residentes.